'A força do querer': Bibi mobilizou porque fez espectador refletir sobre os próprios erros, diz Gloria Perez

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Bibi (Juliana Paes) 'nada' em dinheiro em cena de 'A força do querer' (Foto: Reprodução/TV Globo)Bibi (Juliana Paes) 'nada' em dinheiro em cena de 'A força do querer' (Foto: Reprodução/TV Globo)

Bibi (Juliana Paes) ‘nada’ em dinheiro em cena de ‘A força do querer’ (Foto: Reprodução/TV Globo)

A sequência de decisões catastróficas de Bibi (Juliana Paes) em “A força do querer” (Globo) fez muita gente desejar entrar na TV para dar uns conselhos à personagem. E foi exatamente essa a arma da Perigosa para mobilizar o público, na opinião da autora Gloria Perez. Ela explica:

“Ela é a representação das escolhas erradas que todo mundo já fez em algum momento, seja no amor, no trabalho, na vida.”

“É aquela escolha que te faz dizer depois: ‘Onde é que eu estava com a cabeça? Como é que eu pude?'”, completa. Perez diz ver machismo por trás de comentários que pedem punição severa à mulher que entrou no crime por amor ao marido, Rubinho (Emílio Dantas).

Também rejeita as críticas de quem alega que a trama de Bibi serviu para glamorizar o crime. “Não posso nem considerar uma bobagem dessa. Desse ponto de vista, o filme sobre a Lava Jato seria a glamorizaçao da corrupção?”

“A força do querer” termina nesta sexta-feira (20), depois de se tornar um fenômeno de repercussão. Muito presente nas redes sociais, Perez diz que costuma dar mais atenção ao que ouve nas ruas para medir a aceitação de suas novelas. E garante que a internet não teve peso maior dessa vez.

“As redes sociais são uma boa fonte, mas é preciso filtrar muito o que vem dali, separar o que é fake do que é real”, avalia.

E a opinião do público foi capaz de mudar a trama? O G1 fez à autora essa e outras perguntas que todo fã de “A força do querer” gostaria de fazer enquanto se despede da novela. Ela responde na entrevista abaixo.

A autora Gloria Perez (Foto: Reprodução/Facebook/Gloria Perez)A autora Gloria Perez (Foto: Reprodução/Facebook/Gloria Perez)

A autora Gloria Perez (Foto: Reprodução/Facebook/Gloria Perez)

G1 – Você já falou em outras entrevistas que vê machismo por trás das críticas a Bibi. Por que acha isso?

“Tem um viés de machismo, sim, nisso de exigir punição severa só para a Bibi. Em relação a Irene, Sabiá e Rubinho, não se formaram grupos exigindo castigos rigorosos.”

Mas penso que Bibi mobilizou tanto as pessoas porque ela é a representação das escolhas erradas que todo mundo já fez em algum momento, seja no amor, no trabalho, na vida. Aquela escolha que te faz dizer depois: “Onde é que eu estava com a cabeça? Como é que eu pude?”

G1 – Algumas pessoas também falaram que a personagem “glamoriza o crime”. O que acha dessas críticas? Houve um cuidado para evitar isso?

Gloria Perez – Temos uma protagonista, a Jeiza, criada para representar o policial honesto e incorruptível. De modo que não posso nem considerar uma bobagem dessa! Desse ponto de vista, o filme sobre a Lava Jato seria a glamorização da corrupção? Uma série como “Narcos” seria a glamorizaçao do narcotráfico? Se existe glamour, está nos olhos de quem assiste.

G1 – Novelas anteriores já sofreram ataques de alas mais conservadoras por causa de personagens homossexuais, o que não aconteceu com a trama de Ivan. Você teve medo desse tipo de rejeição? Na sua opinião, por que ela não ocorreu?

Gloria Perez – Acho que pelo cuidado de trabalhar a empatia do público com a personagem antes de apresentá-la como trans.

“Quando Ivan se descobriu trans, o público já tinha acolhido suas inseguranças, suas angustias em relação à identidade. Ele já era familiar a todos.”

O personagem Ivan, de Carol Duarte, na novela A Força do Querer (Foto: Estevam Avellar/TV Globo)O personagem Ivan, de Carol Duarte, na novela A Força do Querer (Foto: Estevam Avellar/TV Globo)

O personagem Ivan, de Carol Duarte, na novela A Força do Querer (Foto: Estevam Avellar/TV Globo)

G1 – Você é muito presente nas redes sociais. A internet teve um peso maior em “A força do querer” do que em suas novelas anteriores?

Gloria Perez – Não. As redes sociais são uma boa fonte, mas é preciso filtrar muito o que vem dali, separar o que é fake do que é real. Aposto mais na repercussão das ruas. Quando você vê que “égua”, “o pau te acha”, “mármore do inferno”, “inshallah”, “né brinquedo não” e “cada mergulho é um flash” [os quatro últimos de “O Clone”] caíram na boca do povo, essa é uma medida que não engana.

G1 – Os destinos dos personagens principais estavam definidos desde o início da trama ou algo mudou de acordo com a reação do público?

Gloria Perez – A gente sempre escuta o público, mas não é para mudar a história.

“Se o público não está entendendo o que você está querendo dizer, você diz diferente, mas para chegar ao mesmo lugar que estava planejado.”

Isis Valverde interpreta Ritinha, na novela 'A força do querer' (Foto: Divulgação/GShow)Isis Valverde interpreta Ritinha, na novela 'A força do querer' (Foto: Divulgação/GShow)

Isis Valverde interpreta Ritinha, na novela ‘A força do querer’ (Foto: Divulgação/GShow)

G1 – “A força do querer” teve personagens femininas que destoam do tipo clássico da mocinha doce e inquestionável. Foi uma novela feminista? O que isso significa dentro da discussão atual sobre esse assunto?

Gloria Perez – Todas as minhas personagens femininas destoam desse padrão. São sempre transgressoras: Clara, Jade, Dara, Maya, Sol, Carmem, Morena etc. Elas enfrentavam todos os desafios para buscar o que queriam para si.

G1 – É claro que não existe fórmula pronta, mas, em quase 35 anos de carreira, você deve ter percebido alguns elementos que fazem uma novela repercutir. Pode citar alguns desses elementos?

Gloria Perez – Gosto desses temperos: entreter, emocionar e fazer refletir.

Fonte: G1

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