Aerosmith no Rock in Rio e em SP é despedida do Brasil? 'Ano passado, pensei que seria a última vez', diz Joe Perry

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Joe Perry, guitarrista do Aerosmith (Foto: Divulgação/Site oficial)Joe Perry, guitarrista do Aerosmith (Foto: Divulgação/Site oficial)

Joe Perry, guitarrista do Aerosmith (Foto: Divulgação/Site oficial)

Joe Perry é o único cara do Aerosmith que já tocou no Rock in Rio. Antes de voltar ao festival nesta quinta-feira (21), o guitarrista conversou com o G1 por telefone.

Perry falou sobre tocar com Alice de novo no Rock in Rio (“Se convidar, eu vou”) e sobre a eterna despedida do Aerosmith: ele pensou que os shows no Brasil no ano passado seriam os últimos por aqui…

O guitarrista resumiu a relação com o “irmão” Steven Tyler e disse o que pensa da banda hoje: “Odeio pensar na gente como peças de museu, mas…”, responde rindo.

G1 – Por que tocar tantas covers de gente como James Brown, Beatles, Fleetwood Mac em vez de tocar ainda mais músicas do Aerosmith, que todo fã quer ouvir?

Joe Perry – São parte da nossa história. Se você fosse ver o Aerosmith em 1971, essas eram algumas das que tocávamos. Sempre tentamos compor músicas assim, são parte da nossa origem. Quando as tocamos ao vivo, elas quase viram músicas nossas. Pra gente, às vezes tocar uma cover é mais divertido do que tocar as coisas de sempre.

G1 – Você é o único da banda que já tocou no Rock in Rio, com o Hollywood Vampires. O que disse para eles sobre o festival?

Joe Perry – São poucos festivais que vão além. Tem uma energia diferente… Os fãs vão ao Rock in Rio sem se importar com quem vai tocar, como no Download, Coachella. Em um festival assim, quem vai quer algo especial.

G1 – Nessas últimas vezes que vieram ao Brasil, vocês sempre falaram que poderia ser a última. Devemos aproveitar como se fosse uma despedida?

“Quando tocamos aí no ano passado, pensei que seria a última vez. Vai acontecendo ano a ano, não é planejado. Demoramos para ir à América do Sul, é uma tentativa de recuperar o tempo perdido. Tem lugar nos EUA que tocamos quase todo ano desde o início. Deveria ter sido assim no Brasil também”.

Aerosmith: Saiba como vai ser o show no Rock in Rio

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G1 – Já ouvi você dizendo que o Steven [Tyler, vocalista] é como seu irmão. E você pode amar do seu irmão, mas não precisa gostar dele…

Joe Perry – Sim, somos como uma família, como irmãos que cresceram juntos. Nada vai nos separar. Irmãos são irmãos. Temos nossas diferenças, mas nada pode ficar entre a gente. Éramos crianças no começo, dividindo o mesmo apartamento, a mesma comida… Crescemos juntos. É difícil até descrever essa relação.

Eu escrevi um livro, o Steven e o Joey [Kramer, baterista] também… E acho que nenhum de nós chegou perto de traduzir o que estar por tanto tempo sempre os mesmos cinco caras. Odeio pensar na gente como peças de museu, mas… bem… [Risos]

G1 – Steven já te definiu como “o rockstar da banda” e “o cara mais cool do mundo”. O que acha desses rótulos?

Joe Perry – Nunca tentei ser qualquer coisa, cara. Eu só acordo e faço o que eu faço. Mas acho que isso é um elogio, né? [Risos] Minha única meta é tentar fazer com que esta máquina aqui continue funcionando por muito tempo.

G1 – Alice Cooper vai tocar no Rock in Rio no mesmo dia, no Palco Sunset. Você vai participar do show dele, ele do seu ou os dois?

Joe Perry – Nunca se sabe. Nos anos 70, era mais comum uns subirem no palco dos outros, do nada. O verdadeiro espírito do rock n’ roll era aquilo. Todas as bandas tinham um sentimento de “somos nós contra o resto do mundo e estamos criando uma coisa nova”. A gente ligava os amplificadores e nem sabia quais músicas iria tocar. Eu ainda tento manter isso comigo e às vezes boto em prática.

Uns anos atrás, estava em Chicago, e o Jane’s Addiction ia tocar no Lollapalooza para 60 mil pessoas. “Quais os acordes?” Subi e toquei. Na noite seguinte, Jimmy Buffett ia tocar… Me pediu para tocar. Fui lá e toquei. Nunca se sabe. Se convidar, eu vou. Em Barcelona, neste ano, Alice Cooper estava tocando… Ele me chamou para tocar “Schools Out”. Claro que eu fui. É divertido pra mim e pros fãs.

 Steven Tyler e Joe Perry, do Aerosmith (Foto: John Vizcaino / Reuters ) Steven Tyler e Joe Perry, do Aerosmith (Foto: John Vizcaino / Reuters )

Steven Tyler e Joe Perry, do Aerosmith (Foto: John Vizcaino / Reuters )

G1 – No seu livro, você diz não se lembrar muito do que aconteceu na banda logo antes de sair dela. Gostaria de se lembrar mais?

Joe Perry – Tudo era tão intenso. Só lembro disso. Era o auge da nossa carreira, tocávamos para 60 mil quase toda noite. Mas internamente a banda estava cansada demais, foi se desgastando. Era tanta coisa rolando além da música. Precisávamos urgentemente de um tempo longe dos outros, sabe? Tudo o que era tóxico e estava acumulado foi liberado. Eram forças fora do meu controle. Eu tinha que sair. Os outros caras ficaram tão felizes em me ver sair como eu fiquei em dar um tempo…

G1 – Quantas guitarras você tem? E qual é a sua preferida, seria aquela da história com Slash? [Perry vendeu para pagar dívidas, anos depois Slash comprou, daí Perry quis recomprar, Slash disse não. Anos depois, Slash deu a Perry de presente de aniversário]

Joe Perry – Tenho algumas, muitas. Elas vêm e vão. Vendo umas, para ter espaço para outras. Mas com certeza esta guitarra me faz lembrar de muitas coisas. Pense que eu toquei com aquela guitarra durante os anos mais importantes do Aerosmith nos anos 70, e daí o Slash comprou e tocou em grandes canções do Guns N’ Roses. Essa guitarra tem muita história, muita energia. Às vezes, toco em turnês com ela, mas não muito. Ela é importante demais para me arriscar. E uma guitarra tão velha fica cada vez mais com marcas, com arranhões… Ela tem 60 anos, né? É mais para ocasiões especiais e estúdio.

Eu devo tocar mais quando estou de folga do que quando estou em turnê. Eu passo muito tempo tentando fazer coisas diferentes com a guitarra, é o único jeito de tocar melhor. Eu tento relaxar… É difícil ficar sem fazer nada. A minha vida toda é botando coisas em malas e tirando coisas de malas. E daí eu também estou trabalhando no meu disco solo novo, que sai em outubro. Tem ainda o Hollywood Vampires, vamos fazer outro disco e sair em turnê no próximo verão. Então, quando estou em uma pausa gosta de ficar na praia, na Flórida. Assim que a gente desligar o telefone, eu vou direto para o mar, botar o pé na areia…

G1 – Entendi… Então, vou fazer uma última pergunta… [ele ri] Li que você é muito, muito fã de cerveja sem álcool. Aqui no Brasil, no geral o povo odeia. Por que você gosta?

Joe Perry – Há muitas horas no dia em que eu tenho que estar “limpo”. E eu meio que não sei mais como é o gosto do álcool. Eu gosto de cerveja sem álcool, porque o gosto é bom. Eu não gosto de Coca-cola, Pepsi, refrigerantes, suco, coisas com açúcar… É uma das poucas bebidas que eu gosto. Combina demais com pizza. [Risos]

Fonte: G1

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