Baixa umidade do ar deixa Uberlândia em alerta para risco de incêndios florestais

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 Incêndios diminuíram 8,5% em relação a janeiro e julho do ano passado, mas mês de setembro registrou maior índice  (Foto: Caroline Aleixo/G1) Incêndios diminuíram 8,5% em relação a janeiro e julho do ano passado, mas mês de setembro registrou maior índice  (Foto: Caroline Aleixo/G1)

Incêndios diminuíram 8,5% em relação a janeiro e julho do ano passado, mas mês de setembro registrou maior índice (Foto: Caroline Aleixo/G1)

O clima desértico em Uberlândia é consequência do longo período sem chuvas na região e aumenta o risco de incêndios florestais, de acordo com o Corpo de Bombeiros. Com a variação da umidade relativa do ar entre 20% e 10%, a Defesa Civil tem emitido diariamente alerta laranja para que os órgãos envolvidos redobrem a atenção. Neste domingo (3), a cidade completa 106 dias sem chuva e a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é que o sol persista ainda pelos próximos dias.

De janeiro a julho, o Corpo de Bombeiros registrou 129 incêndios na cidade, sendo a maioria em reservas ambientais e no entorno de unidades de conservação, além de áreas de reflorestamento e terrenos rurais.

O número é 8,5% menor em relação ao mesmo período do ano passado (141 registros), porém o mês de setembro obteve maior índice de registros, com 53 incêndios nessas áreas. O G1 não considerou as estatísticas de queimadas em lotes vagos na área urbana.

O diretor de Defesa Civil e coordenador da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec), capitão João Batista Afonso, explicou que grande parte dos incêndios florestais é provocada pela ação humana.

“Pode ocorrer por causas naturais ou até mesmo pelo efeito-lupa [quando o vidro serve para concentrar o calor do sol em um único ponto, provocando aquecimento e, em consequência, gerando fogo] de cacos de vidro nas vegetações, por exemplo, mas isso é raro. A maioria ocorre de forma criminosa, quando a pessoa coloca fogo em uma determinada área e não tem mais controle, alastrando para outras áreas maiores”, disse.

A Defesa Civil atua nas frentes de orientação e prevenção para minimizar desastres, mas é acionada sempre que as ocorrências geram algum tipo de risco direto à população ou quando os órgãos de segurança e prevenção, como Corpo de Bombeiros e Polícia Militar de Meio Ambiente, veem necessidade no trabalho de evacuação de áreas. Ainda segundo Afonso, o combate a incêndios na cidade é feito em conjunto com várias entidades dependendo das proporções.

Grandes incêndios são registrados na cidade

Um dos maiores incêndios registrados na cidade foi no dia 29 de julho no Parque Estadual do Pau Furado. O fogo atingiu uma área aproximada de 300 hectares da reserva ambiental e, para conter as chamas, foi necessário o apoio de brigadistas do Instituto Estadual de Florestal (IEF), bombeiros e militares do Exército. O incêndio foi o maior registrado na história do parque.

Parque Estadual do Pau Furado registrou maior incêndio florestal da história em julho deste ano  (Foto: Caroline Aleixo/G1)Parque Estadual do Pau Furado registrou maior incêndio florestal da história em julho deste ano  (Foto: Caroline Aleixo/G1)

Parque Estadual do Pau Furado registrou maior incêndio florestal da história em julho deste ano (Foto: Caroline Aleixo/G1)

Outro local atingido por incêndios nessa época de estiagem é a reserva particular do Clube Caça e Pesca Itororó, de Uberlândia e imediações. No mês passado, os bombeiros conseguiram conter as chamas em um pasto vizinho antes de atingir a área de preservação permanente. O presidente do clube informou que, só neste ano, foram contidos três focos de incêndio no local.

O professor e climatologista da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Paulo Cezar Mendes, explicou que a baixa umidade relativa do ar, que a ficar em 10% na última quinta-feira (31), influencia no índice de queimadas e no auge do período seco, entre os meses de agosto e setembro. O risco é ainda maior quando se trata de uma região de cerrado.

“Nessa época do ano, se emite alerta vermelho por causa da baixa umidade sobre a região Centro-Oeste do país, mas, em termos ambientais, a nossa região do Triângulo Mineiro se assemelha muito ao Centro-Oeste devido ao bioma cerrado. A temperatura elevada e a radiação direta, com ausência de nebulosidade, junto à escassez de água, acabam propiciando o risco de incêndios”, comentou Paulo Cezar.

O climatologista ainda ressaltou que os meses de agosto e setembro são característicos pela intensidade de vento, que faz com que o fogo se espalhe de forma mais rápida e alastre por grandes áreas.

Ainda que haja previsão de chuvas para o mês que marca o início da primavera, os próximos dias ainda serão secos. Por isso, o 5º Batalhão de Bombeiros Militar (BBM) de Uberlândia reforça algumas orientações para evitar queimadas e incêndios. Confira:

  • Não lance pontas de cigarro pela janela do veículo ao trafegar pelas estradas e rodovias. A vegetação seca se incendeia com maior facilidade nesse período de baixa umidade.
  • Seja cuidadoso ao acender fogueiras, velas e lampiões. Procure acendê-los em local aberto retirando completamente a vegetação em volta. Se possível, enterre as sobras de carvão (brasas e cinza)
  • Não se ausente do acampamento deixando a fogueira acesa ou com torrões em brasa. Também não jogue restos de fogueira em rios.
  • Não jogue lixo em locais inapropriados. Latas de metal, cacos de vidro e garrafas podem se aquecer ao sol e originar queimadas.

Fonte: G1

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