'black mirror' virou só mais uma série legalzinha

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Se você quer um post resumido sobre a quarta temporada de “Black Mirror”, é assim:

A temporada é fraca. Nem de longe lembra as sombrias e perturbadoras duas primeiras temporadas (e o sensacional episódio de natal). Mas vale ver, não é assim um horror, tem episódios bem legais. A saber:

episódio 1: é bem divertido

episódio 2: um dos mais chatos da série

episódio 3: o pior da série. É muito ruim mesmo

(Logo mais, meu ranking completo de todos os episódios de todas as temporadas, aguarde e confie)

Agora vamos desenvolver o assunto e falar direito sobre essa série que virou referência de coisa fina e bem feita na TV, deu origem à célebre frase “meeeu, isso é muito black mirror” e virou assunto obrigatório em mesas de bar, grupos de whatsapp e almoços de família. Não tem como não ver “Black Mirror”, sabemos.

Mas esta temporada, realmente, está bem distante de tudo o que a série já representou, aqueles episódios que davam medo de até onde a tecnologia pode nos levar, nos faziam discutir os limites da ética e humanidade e tiravam um pouquinho nosso sono à noite e tal.

É assim: se essa quarta fosse a primeira temporada, “Black Mirror” ia ser mais uma dessas séries medianas lançadas toda semana e que você acha que tem que ver porque todo mundo está vendo mas depois de um mês ninguém mais fala nelas.

É muito, muito inferior aos dois primeiros anos (quando a série era produzida pelo canal inglês Channel 4), embora não fique muito distante do terceiro ano, também fraquinho, lançado pela Netflix em 2016. Não dá nem para culpar a Netflix e dizer que eles são gananciosos e estragaram a pureza da série. Porque quem escreveu as duas últimas temporadas foi o próprio criador de “Black Mirror”, Charlie Brooker, o mesmo cérebro por trás de episódios primorosos como o do porco, como o White Bear (aquele que a mulher era perseguida por uma galera com celular), como The Entire History of You (em que tudo o que você vivia ficava gravado num chip atrás da sua orelha), o especial de natal com Jon Hamm etc.

Aí o que aconteceu? Aparentemente acabou a imaginação de Charlie Brooker.

1) afrouxou os critérios do que pode ser considerado perturbador e sombrio e um retrato de um futuro distópico não muito distante

2) resolveu dar uma reciclada nos temas das outras temporadas.

Descobrimos então que a versão futurista do inferno bíblico é sua consciência presa na nuvem em um sofrimento eterno. E a única certeza que temos do futuro é que haverá chips que entrarão com uma agulhinha nas têmporas e serão capazes de ler nossa mente, nossas memórias, transplantar nossa personalidade para outras pessoas etc. Tem isso em 4 dos 6 episódios da temporada.

Mas então vamos falar de episódio a episódio, por ordem, e ***atenção a partir daqui contém alguns spoilers***:

Fonte: G1

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