Saudações tricolores.

 

Foi um duelo de opostos. O jogo de ontem, contra o Palmeiras, na Fonte Nova, escancarou as diferenças entre os clubes. Dentro das nossas limitações e com as consequências de uma partida coletivamente muito abaixo, o Bahia sucumbiu diante da equipe paulista, dentro de casa. Ah, sem contar com os erros de arbitragem mais uma vez nos prejudicando em lances cruciais.

 

O Palmeiras é um clube que conta com uma espécie de mecenato. Por trás, além da cota de TV diferenciada, há o absurdo derrame de dinheiro do patrocinador. Não há restrições nas contratações, nem nos valores “investidos”. Com um elenco recheado de boas e ótimas peças, não há dor de cabeça com reposição. A luta do atual campeão brasileiro é encontrar uma consistência tática e formação de um time, ainda claudicante no nacional (estão abaixo de nós na tabela) e Libertadores.

 

 

Já o Bahia é um clube no limite. Esticado em todas as esferas, sem folga nas finanças, resta a montagem de um elenco à base de muita pesquisa e rigoroso critério. Com pouco dinheiro, a margem para erro nas contratações é quase inexistente. Ainda assim, já errou além da cota permitida. Nosso mérito é ter, hoje, um padrão de jogo definido – e Guto tem certo mérito nisso -, com relativa solidez defensiva e boa movimentação no ataque. É ótimo você ter um time, um conjunto minimamente organizado, pois vale muito. Nessa situação de organização, jogadores medianos – até mesmo uns ruins – não comprometem. O problema é quando as linhas do gráfico planejado x executado se distanciam. Aí, pai, é problema puro.

 

Pra quem tem pouco, uma ausência já faz muita falta. Pra nós, não ter Jackson, Edson, Régis e Allione é quase insustentável, nos empurra a jogar no limite. A gente tenta, mas não tem como fazer isso sempre. É um esforço hercúleo que, ontem, foi minado pelo erro do árbitro, ao marcar um pênalti inexistente de Rodrigo Becão em Keno. Com desvantagem no placar, saímos do nosso plano de organização e todas as nossas fraquezas ficaram expostas. E é aí escancarada a ruindade de certas peças em posições vitais. Nossa fragilidade ficou à mostra.

 

Na tentativa de melhorar o time, uma das substituições de Jorginho foi crucial na desarrumação do time. Sacar Juninho (esse merece um texto à parte, prometo), que, de fato, fazia uma péssima partida, para a entrada de João Paulo, desequilibrou meu meio de campo. Sobrecarregou Renê absurdamente. Além de se matar pra marcar no meio, cobrir nossos laterais, restou apenas a Renê a tarefa de buscar a bola no pé dos zagueiros pra distribuir o jogo. Àquela altura, já estávamos perdidos em campo. Jogando contra um time de elenco qualificado, foi fatal.

 

A derrota em casa, frustrante, ainda nos deixa no meio da tabela, numa posição relativamente confortável. Mas é preciso ligar o alerta: já são três jogos sem triunfo e agora partimos pra um jogo complicadíssimo contra o Corinthians, líder do campeonato, em São Paulo. Não há razão pra desespero, apenas a urgência em entender que, neste momento – e talvez seja assim durante todo o longo torneio – nosso maior trunfo é manter a organização em campo, jogar com unidade, conjunto, obedecer religiosamente o padrão de jogo estabelecido, sem forçar um ritmo que ainda não temos condições de impor. Para tanto, toda concentração será necessária durante os 90 minutos. Se conseguirmos, nossas chances de surpreendê-los aumentam E o Corinthians não é lá nenhum bicho-papão. Dá pra brocar, sim!

 

PS1: Uma partida é muito pouco, mas Rodrigo Becão já mostrou as credenciais de bom zagueiro. Minha total torcida pra mais um da base se firmar.

 

PS2: Ótimo público na Fonte, pouco mais de 33 mil torcedores. Nação compareceu em peso e apoiou o time. Precisamos ser assim todos os jogos. Vamos continuar a campanha de associação e marcar presença nos jogos do Esquadrão, afinal, basta o Bahia em campo pro jogo ser importante.

 

#BBMP

 

 

No Twitter: @lucianojornal

Fonte: GloboEsporte.com

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here