Casal é indiciado por homicídio e ocultação de cadáver em caso de comerciante que matou amante em MG

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Suspeito foi apresentado pela delegada Ione Barbosa em Juiz de Fora (Foto: Polícia Civil/Divulgação)Suspeito foi apresentado pela delegada Ione Barbosa em Juiz de Fora (Foto: Polícia Civil/Divulgação)

Suspeito foi apresentado pela delegada Ione Barbosa em Juiz de Fora (Foto: Polícia Civil/Divulgação)

A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Juiz de Fora concluiu o inquérito que investigava o caso do comerciante de 41 anos suspeito de matar a jovem de 21 anos com quem teve um relacionamento extraconjugal. O desfecho da apuração foi anunciado em coletiva na tarde desta segunda-feira (9) pela delegada Ione Barbosa. O processo foi enviado à Justiça.

A esposa do comerciante, que acionou a Polícia Militar (PM) no dia do crime, e o investigado serão indiciados por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, traição, por meio que tornou impossível a defesa da vítima e por se tratar de feminicídio.

O casal também será indiciado por tentativa de ocultação de cadáver, já que teria arrastado o corpo da vítima próximo ao porta-malas do carro deles, e não teria conseguido ocultá-lo por circunstâncias alheias às suas vontades. Eles também teriam usado uma enxada, encontrada com sangue na mercearia, para arrastar o corpo da mulher, segundo a Polícia Civil.

Além disso, o casal vai responder por fraude processual, por terem ocultado a filmagem e outros objetos do crime. De acordo com a delegada, a soma das penas chega a 37 anos de prisão.

O crime ocorreu no dia 4 de agosto, no Bairro Santo Antônio. A jovem foi morta com um tiro no rosto dentro de uma mercearia e teve o corpo arrastado até o meio da rua, onde foi localizado. O suspeito fugiu após o crime e só se apresentou quatro dias depois, acompanhado da esposa e de advogados, para prestar depoimento.

No dia, como havia passado o prazo de flagrante, foi ouvido e liberado, mas atualmente está no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) desde 12 de setembro, quando foi preso em Lima Duarte, para onde se mudou após o crime. A mulher dele ainda não foi presa, o que depende da aceitação do inquérito pela Justiça.

Delegacia da Mulher em Juiz de Fora (Foto: Prefeitura de Juiz de Fora/Divulgação)Delegacia da Mulher em Juiz de Fora (Foto: Prefeitura de Juiz de Fora/Divulgação)

Delegacia da Mulher em Juiz de Fora (Foto: Prefeitura de Juiz de Fora/Divulgação)

Ameaça e suspeita de paternidade de criança

A jovem de 21 anos foi baleada na noite de 4 de agosto, dentro da mercearia que fica em frente à casa onde o suspeito do crime morava com a esposa e a filha, no Bairro Santo Antônio.

Segundo a Polícia Militar (PM), as equipes foram checar uma denúncia de agressão contra uma mulher e encontraram a jovem caída na rua, desacordada e com rosto ensanguentado.

A morte foi confirmada pela equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que constatou que a vítima foi baleada no nariz. Após os trabalhos da perícia, o corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML), no Bairro Granbery.

Quem chamou a PM foi a esposa do comerciante. Ela contou que estava em casa com a filha quando ouviu um estampido. Em seguida, o marido entrou em casa, contou que havia atirado na jovem, que “sua vida havia acabado no momento” e que fugiria.

A esposa disse que o suspeito teria um relacionamento extraconjugal com a jovem há alguns anos, mas que acreditava que atualmente não estavam mais juntos, mas afirmou que a jovem o estava chantageando. Consta na ocorrência que dentro da mercearia havia marcas de sangue no chão, o que indicava que o corpo foi arrastado por cerca de três metros do local exato do crime.

O irmão da vítima entregou aos policiais o celular da jovem e contou que leu diversas conversas íntimas entre o homem e a irmã, inclusive com registros minutos antes do crime.

O revólver calibre 32 com cinco munições intactas e uma deflagrada foi encontrado sobre um freezer horizontal de cor branca que fica no interior da mercearia. A arma e o celular foram apreendidos e encaminhados à Polícia Civil.

Em depoimentos na Polícia Civil, o comerciante alegou que a jovem o estava chatageando e que ele queria dar um susto, mas que o disparo não foi proposital.

“Ele afirmou que foi um acidente. Ficou claro por várias mensagens num aplicativo que ele a teria chamado na mercearia. Isso pode indicar que a intenção dele era outra”, explicou a delegada.

Pelas apurações da Delegacia Especializada, o homem tinha dois motivos para se sentiar ameaçado pela jovem, o que pode ter levado ao femincídio.

“Ele teria enviado um vídeo pornográfico para ela, que estava ameaçando divulgá-lo. Como ele tinha um comércio no bairro, considerou que tinha uma reputação a zelar e não queria que isso ocorresse. O outro motivo é que a vítima alegava que a filha dela mais nova era dele. A esposa disse em depoimento que tentou pagar o exame de DNA, mas a jovem se recusou a levar a criança”, comentou Barbosa.

Fonte: G1

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