Como o furacão Irma se compara a outras tempestades históricas

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À medida que avança rumo à Flórida, deixando um rastro de destruição por várias ilhas no Caribe, o furacão Irma já é o primeiro da história a manter por mais de 24 horas ventos de cerca de 297 km/h.

É também o mais forte furacão no Atlântico em termos de ventos máximos sustentados desde o Wilma, de 2005, que passou por México, Haiti, Cuba e Flórida.

Comparar furacões não é tarefa fácil, pois eles podem ter graus diferentes em parâmetros distintos, como velocidade de vento, duração, diâmetro da área de atuação da circulação ciclônica, distância percorrida e destruição causada.

O Irma chegou à categoria 5, a mais alta da escala Saffir-Simpson, que mede os furacões pela intensidade dos ventos e seu potencial de destruição. Segundo o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, os furacões ou ciclones tropicais da categoria 5 nessa escala têm potencial para causar os seguintes danos: árvores e arbustos totalmente arrastados pelos ventos, árvores arrancadas pela raiz, danos de grande porte a telhados de edifícios, colapso total de muitas residências e edifícios industriais, casas e edifícios arrastados, caos total, evacuação necessária para todos moradores de zonas baixas em uma área de 8 a 16 km da costa.

Mas isso não significa que um furacão da categoria 5 esteja necessariamente entre os mais destruidores ou mortíferos.

O furacão Katrina, que em 2005 causou bilhões em estragos e deixou aproximadamente 1,5 mil mortos nos EUA, não passou da categoria 3 quando chegou ao continente.

Veja abaixo os furacões que lideram as listas segundo diversos parâmetros elaboradas pelo órgão dos EUA que monitora as condições dos oceanos e da atmosfera (NOAA na sigla em inglês) e como o Irma se compara a eles.

A maior distância percorrida: Ophelia (1960)

Em termos de distância percorrida, o furacão Faith (1966) é o campeão do Atlântico com 12,5 mil quilômetros. Ophelia (1960), por sua vez, percorreu 13,5 mil quilômetros no Pacífico, o equivalente a um trajeto em linha reta entre Buenos Aires e Moscou.

A rota prevista para Irma foi revista e a expectativa é de que ele chegue à costa americana. Ele terá percorrido mais de 2,5 mil km.

Mais longa duração: John (1994)

John (1994) castigou o Pacífico por 30 dias e é o primeiro da lista em termos de duração. Nesse período foi ganhando e perdendo força. No entanto, ele se manteve na categoria 5 apenas por menos de dois dias.

O Irma surgiu no final de agosto, chegou à categoria 5 na terça-feira (5.09) e está previsto para avançar por pelo menos mais cinco a seis dias.

Maiores danos contabilizados: Katrina (2005)

O furacão Katrina foi o que causou o maior prejuízo material. Ele atravessou partes das Bahamas e dos Estados americanos de Flórida, Louisiana, Mississippi e Alabama, provocando perdas totais de mais de US$ 108 bilhões.

Ainda não há estimativas do valor dos danos já causados por Irma no Caribe. Mas autoridades classificaram a tempestade como “potencialmente catastrófica”.

Somente em Barbuda, estima-se que 50% da população ficou desabrigada e 95% dos imóveis sofreram algum tipo de dano com a passagem do Irma. “A ilha está literalmente debaixo d’água”, disse Gaston Browne, afirmando que serão necessários cerca de US$ 100 milhões para reconstruir a ilha.

Número de mortos: Bhola (1970)

O ciclone de Bhola, que atingiu o Paquistão em 1970, deixou cerca de 300 mil mortos.

O furacão Galveston, mesmo tendo atingido o Texas há mais de um século, ainda é o que mais deixou mortos nos EUA. Estima-se que entre 9 mil a 12 mil pessoas perderam suas vidas na sua passagem.

Na lista dos que mais matou nos EUA, o Katrina está em terceiro lugar, com cerca de 1,5 mil mortos.

Com ventos de cerca de 300 km/h, o furacão Irma já deixou pelo menos nove mortos, inundou ruas e avenidas, destelhou casas e derrubou árvores em Antígua e Barbuda, e nas ilhas de Saint Martin (território francês e holandês), Saint Barts (território francês) e Anguilla (território britânico).

O que faz Irma ser tão poderoso, contudo, não é apenas a velocidade de seus ventos, que o colocam na categoria 5, a mais elevada. A direção dos ventos e a temperatura mais elevada da água do mar do Caribe, segundo o Centro Nacional de Furacões, deve fazer com que Irma permaneça forte nos próximos dias.

Fonte: G1

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