Coreógrafo da Madonna em 'Vogue' é apresentado a 'passinho' na Bienal de Dança: 'Quero aprender!'

0

Coreógrafo do clipe ‘Vogue’ da Madonna é apresentado ao ‘passinho’ na Bienal de Dança

Coreógrafo da diva Madonna em “Vogue” (1990) e um dos precursores da dança “voguing”, José Gutierrez ultrapassou fronteiras com seu estilo como um dos destaques da Bienal de Dança de Campinas (SP). O contato do dançarino com o público, no entanto, também rendeu a ele um novo gingado: o “passinho”. Durante o bate-papo nesta segunda-feira (18), um espectador subiu ao palco e fez uma apresentação rápida e inesquecível para o ídolo da dança.

“Depois quero que você me ensine isso! Quero aprender!”, pediu Gutierrez após aplaudir o passinho.

O jovem que apresentou a dança ao coreógrafo se candidatou a mostrar as habilidades após a plateia questionar se Gutierrez conhecia o “passinho”. Para a surpresa de todos, era novidade para ele. Gutierrez, no entanto, não se arriscou a testar o estilo, mas arrancou aplausos ao demonstrar o “voguing”. [Veja como foi, no vídeo, acima]

Após as inscrições para o bate-papo desta segunda-feira (18) e da oficina de terça (19) terem se esgotado, o coreógrafo anunciou um evento extra. Uma masterclass de “voguing” aberta ao público, às 19h, na quarta (20), com entrada gratuita, no Espaço Arena do Sesc.

José Gutierrez participa de bate-papo na Bienal de Dança, em Campinas (Foto: Clara Rios/G1)José Gutierrez participa de bate-papo na Bienal de Dança, em Campinas (Foto: Clara Rios/G1)

José Gutierrez participa de bate-papo na Bienal de Dança, em Campinas (Foto: Clara Rios/G1)

O coreógrafo popularizou o gênero “voguing” no clipe com a diva e revolucionou a cultura pop. Os movimentos conduzidos por poses eram uma forma de expressão da comunidade LGBT da época, que frequentava bailes principalmente na Zona Leste de Nova York, onde havia desfiles e competições em que era permitido ser o que quiser.

Entre fãs e curiosos, membros de uma casa de bailes LGBT de Campinas realizaram o sonho de conhecê-lo e comentaram sobre a inspiração que é tê-lo como referência. [Assista ao clipe “Vogue”, abaixo]

“É maravilhoso, agrega muito pra gente, inspira. É uma forma de te incentivar a continuar. Não parar o que você está fazendo. Construir o que eles fizeram lá, aqui no Brasil. Sem iniciativa você não consegue nada”, ressalta o dançarino Lucas Mateus ‘Áquira’, um dos primeiros a integrar o espaço de dança LGBT na cidade.

Guiado por essas referências, o dançarino André Avalanx, que conheceu o “voguing” há cerca de dois anos acompanhou atento as palavras do coreógrafo, junto com amigos de uma casa de bailes e dança LGBT em Campinas.

“É muito emocionante! A gente só não desmaiou porque precisa assistir ao que ele está falando. Mas é uma coisa que mexe. Estar com ele aqui, na nossa cidade, é um sonho que virou realidade”, afirma André Avalanx, que conheceu o estilo há cerca de dois anos.

José Gutierrez recebe público para conversa na Bienal de Dança, em Campinas (Foto: Clara Rios/G1)José Gutierrez recebe público para conversa na Bienal de Dança, em Campinas (Foto: Clara Rios/G1)

José Gutierrez recebe público para conversa na Bienal de Dança, em Campinas (Foto: Clara Rios/G1)

Antes da conversa com o ícone, o público pôde assistir aos documentários “Paris is Burning” (1990) e “Strike a Pose” (2016), que falam sobre as particularidades da comunidade gay de Nova York e sobre os bastidores da turnê com Madonna “Blond Ambition”, respectivamente.

Rafael Brito ficou particularmente emocionado com vídeos. Soropositivo, assim como muitos dançarinos que trabalharam com a cantora, ele encontrou um refúgio.

“Para mim, ser negro, gay, com renda um pouco mais baixa e ter essa vivência [do ‘voguing’] no dia a dia é uma coisa muito importante. O apoio que eles dão pra gente… É uma família. Foi tão importante vê-lo [Gutierrez] aqui hoje. Ele mostra que a gente também pode ir atrás do que quer”, pontua.

Grupo integra corpo de dança LGBT em Campinas (Foto: Clara Rios/G1)Grupo integra corpo de dança LGBT em Campinas (Foto: Clara Rios/G1)

Grupo integra corpo de dança LGBT em Campinas (Foto: Clara Rios/G1)

Durante o bate-papo, o coreógrafo foi “bombardeado” por perguntas de todos os tipos. Falou, entre outros assuntos, sobre o que é dança para ele, como lidar com a eterna ligação com Madonna, o que ele entende como fracasso e como enfrentou as perdas dos amigos para o HIV.

Além de toda a herança profissional, a referência mais marcante que ele deixa ao público é que cada um tem o direito de ser quem quiser ser. Por isso, a comunidade LGBT e outras minorias devem permanecer unidas, independentemente do que tiverem de enfrentar para serem aceitas.

“Qualquer pessoa que tentar nos repreender vai fazer com que a gente se una de um jeito ainda mais forte. Nós sempre fomos lutadores, e essa é apenas mais uma luta. Vocês precisam continuar a lutar pelo que acreditam. É o seu direito de se expressar. É algo que nós temos que ninguém pode tirar. Assim, todas as nossas vozes serão ouvidas”, ressalta Gutierrez.

José Gutierrez atuou em alguns trabalhos com Madonna (Foto: José Gutierrez/Arquivo pessoal)José Gutierrez atuou em alguns trabalhos com Madonna (Foto: José Gutierrez/Arquivo pessoal)

José Gutierrez atuou em alguns trabalhos com Madonna (Foto: José Gutierrez/Arquivo pessoal)

Fonte: G1

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here