Crianças vivem cenas de pesadelo em vielas da maior favela do pais

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Crianças com olhos vendados são carregadas em viela na Rocinha ao lado de cadáveres, na última segunda-feira (9)

 

(Foto: José Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Acordo com insônia às quatro da madrugada. Penso no meu post da semana. Pretendia escrever sobre as mudanças ocorridas nos últimos quarenta anos no campo religioso no Brasil. Antes de começar o dia, abro no tablete o jornal O Globo. A primeira página é um soco no estômago. Crianças de olhos vedados e abraçadas por colegas mais velhos passando por cima de cadáveres de homens, jovens, mortos na guerra sem fim entre facções do tráfico, dentro de facções do tráfico de drogas e entre a polícia e o resto. A viela da favela da Rocinha é apertada. Os corpos cobertos por um plástico transparente. Não havia nem uma folha de jornal para esconder as vítimas crivadas de balas? Um policial armado olha sem sequer um gesto. Impassível diante de uma cena de pesadelo.

Não consegui pensar em outra coisa e desisti de falar sobre religião, embora fosse importante debater essa questão hoje. Mas como silenciar diante da tragédia que afeta pessoas pobres em todas as “comunidades” do Rio de Janeiro.

Enquanto os bem-pensantes se distraem discutindo a censura à exposição de arte no sul do País e o prefeito do Rio de Janeiro, em tom de deboche, se expõe em uma rede social dizendo que não permitirá que o Museu de Arte do Rio receba tal mostra de arte, as crianças da favela ficam à mercê dessa guerra inútil às drogas. Sujeitas a ver mais do que pretensas pornografias, pedofilias e etc., sofrem a dor de ver cadáveres nos becos.

O prefeito mente, mesmo se dizendo cristão. Onde está seu amor pelos pobres? O governador se esconde entre os escombros produzidos pelo seu antecessor que preferiu o lixo do luxo a promover o bem comum. E nem é preciso dizer, mas em Brasília os três poderes da República perdem tempo precioso em infinitas lutas para se manterem ou manterem outros nos cargos. Ai de nós. Quanta coisa fora do lugar!

O que fazer diante desse gozo pornográfico produzido pelas notícias e fotos desgraçadas de “bandidos” mortos que se espalham pelas redes sociais na cidade do Rio de Janeiro?

O que fazer? Não vejo saída a não ser continuar a exigir de nossos políticos e juízes que parem tudo para repensar a lei de drogas e legislem em favor dos desfavorecidos, legalizando as drogas para terminar com essa guerra inútil que só nos traz desgraças. Exigir que parem  tudo e ajudem os secretários de educação na luta insana de transformar as escolas em lugares de paz. Exigir que parem tudo e instituam escolas de horário integral para todas as crianças e jovens brasileiros. Que parem tudo e pensem no bem comum. Chega!

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Fonte: G1

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