Empresa familiar une profissão e experiência de pais e filhos no Piauí

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Além dos proprietários da empresa, funcionários que também são pai e filho trabalham com lanternagem estreitando laços no dia a dia.

Em comemoração aos Dias dos Pais, o G1 vai contar a história de pais e filhos que trabalham na mesma empresa e com a mesma profissão. O assunto ‘o que eu quero ser quando crescer’ normalmente começa a ser pensado desde criança e comumente é o que decide o futuro de cada pessoa. Nem sempre estas decisões são apreciadas pelos pais, que ás vezes, mesmo sem perceber, são verdadeiros espelhos para tal escolha.

Pais e filhos que trabalham na mesma profissão (Foto: Samantha Araújo/ G1)

Pais e filhos que trabalham na mesma profissão (Foto: Samantha Araújo/ G1)

Há 35 anos, Antônio de Pádua Dias Raulino, começou a trilhar um sonho. Desde pequeno, Seu Raulino, como é conhecido, já gostava de carros e foi durante a adolescência que ele começou a montar e desmontar os próprios carros. O que era apenas uma curiosidade se tornou o negócio da família. Empresa e experiência que está sendo passada de pai para filho.

Para Seu Raulino, que atualmente tem 57 anos, os filhos herdarem o que o pai tem é a cronologia correta. “O primeiro que eu trouxe para a oficina foi o Luciano, que é meu enteado e que já tem sua própria oficina. Depois comecei a trazer meus outros dois filhos durante as férias, quando eles ainda eram crianças, e desde os 18 anos, o Zé Neto e Antônio Filho já trabalham aqui”, contou.

José Neto tem 29 anos e é o filho do meio. O jovem contou que chegou a pensar em seguir outro caminho, mas que decidiu tomar de conta do que era da nossa família. Segundo ele, tudo na empresa passa pelo pai, afinal foi o pai que o ensinou tudo que sabe. “Não vou dizer que ele (Seu Raulino) é a pessoa mais fácil do mundo (risos), ele gosta das coisas do jeito dele, até porque foi ele ensinou todo mundo que está aqui, desde o mecânico a nós, então ele quer que saia tudo perfeito”, explica.

O filho acredita que todas as brigas do pai dão um aprendizado. “Quando ele não pode vir por algum motivo a gente sente até falta dos puxões de orelha. O papai começou do nada, veio lá de baixo e construiu essa empresa. Todos aqui foram ensinados por ele. A questão da família é que a cada geração resgata os valores daquele que primeiro começou tudo, no caso, meu pai”, afirma.

O outro filho que também trabalha na empresa é Antônio Filho. O caçula de Seu Raulino não herdou só o nome do pai, mas o amor por carros que começou pelo patriarca e já conquista também o neto. “Eu sempre gostei de carros desde pequeno. Essa foi a vida do meu pai e sempre vi ele trabalhar com isso, então eu sempre gostei. Meu filho, que também tem o nome do meu pai, já demonstra gostar de carro e se for isso que ele quiser para a vida dele, que ele seja bem vindo”, contou.

“Meu pai sempre foi o meu ídolo. Ele e minha mãe passaram por dificuldades que eu nunca passei e mesmo assim sempre criaram a gente com tudo que eles podiam nos dar. Eu quero ser o melhor pai que posso para o meu filho, mas acho que nunca vou conseguir chegar ao patamar dele.”, falou o caçula.

Antônio Filho conta que cada dia trabalhado com o pai é um aprendizado e que ele ainda tem muito a ensinar. “Para mim é gratificante. Todo dia ele me ensina coisas que eu nunca nem vi na minha vida, ele sempre me surpreende com alguma coisa. Eu acho que ainda vai demorar muito para sair daqui, mas caso um dia isso aconteça eu e meu irmão temos pulso para continuar o trabalho dele”, contou.

Continuidade do projeto através dos filhos alegra Seu Raulino

Para Seu Raulino, o melhor de ter os filhos na empresa é a certeza de que eles estão preparados para qualquer procedimento. “Eles vão aprendendo tudo. Tenho consciência de que todos nós temos um limite, vai ter um tempo que eu não vou aguentar mais e eles terão de continuar. Meu tempo está acabando e o deles iniciando. No meu tempo não tinha nota fiscal eletrônica, celular, não tinha essas tecnologias que hoje eles que sabem de tudo”, afirmou.

Quatro dos cinco netos de Seu Raulino moram em Teresina. Destes, são três meninas e um menino. O patriarca deixa claro, que o importante na empresa é a responsabilidade de cada um.

“Essa empresa é nossa, é da nossa família. Eu tenho consciência que o meu projeto que eu sonhei a vida inteira vai ter continuidade por conta deles. No século em que estamos a mulher se equipara o homem, a mulher é independente, se alguma das minhas netas quiserem vir, será também uma continuidade. Nossa empresa é familiar, tanto na administração quanto lá fora. Se o funcionário, por exemplo, é competente, não me importa que sejam pais, filhos, irmão, serão contratados”, afirmou.

Trabalho contribuiu para unir pai e filho

Pais e filhos que trabalham na mesma profissão (Foto: Samantha Araújo/ G1)Pais e filhos que trabalham na mesma profissão (Foto: Samantha Araújo/ G1)

Pais e filhos que trabalham na mesma profissão (Foto: Samantha Araújo/ G1)

A empresa atualmente conta com a colaboração de 14 funcionários, entre eles pai e filho que trabalham com lanternagem. Edmilson do Nascimento tem 44 anos, é pai de quatro filhos e durante metade da sua vida trabalha como lanterneiro na oficina do Seu Raulino e hoje é chefe do setor na empresa.

“Desde os 12 anos eu me interessei por carro e nunca mais larguei. Eu gosto daqui, me sinto em casa, sei que aqui todo mundo é uma família, tanto que meu filho mais velho trabalha aqui comigo e o outro já se interessa em vir trabalhar também. Fiquei com receio de pedir emprego para meu filho, até porque eu já trabalho aqui, mas o patrão gostou do trabalho dele e o contratou”, contou.

Edmilson conta que a principio achava que apesar de gostar muito da sua profissão, queria que os filhos tivessem procurado algo melhor. “Todo pai quer algo melhor para o filho. Eu gosto muito do meu trabalho e é com ele que sempre me sustentei, mas queria que eles tivessem procurado fazer um curso superior. Eles quiseram me seguir, então os apoiei e no fundo fiquei feliz porque é melhor do que ficar na rua sem fazer nada, sem rumo”, contou.

O lanterneiro conta que trabalhar com o filho, que é fruto do primeiro casamento, foi uma oportunidade deles se melhor relacionarem. “Trabalhar com meu filho é muito bom, porque sempre me senti mal por não o acompanhar como deveria. Quando ele veio trabalhar aqui, nossa relação pessoal melhorou, eu pude vê-lo com mais frequência e pegar mais intimidade. Hoje eu o conheço bem melhor”, falou.

O filho de Edmilson tem 25 anos e chama-se Wanderson do Nascimento. Ele conta que sempre se identificou com a área em que o pai trabalha e que acha gosta muito de trabalhar em sua companhia. “Eu acho o máximo trabalhar com ele. Nós nos aproximamos mais quando começamos a trabalhar juntos e hoje temos uma relação pai e filho bem melhor. Meu pai é um guerreiro, trabalhou a vida inteira para os filhos além de ser bem animado e profissional”, finalizou.

Fonte: G1

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