Estudo contradiz principal teoria de povoamento da América

Pesquisadores da USP e de Harvard extraíram DNA de ossos humanos enterrados por mais de dez mil anos. Feições de Luzia seriam diferentes de conhecida até agora. Pesquisadores da Universidade de São Paulo e de Harvard divulgaram nesta quinta-feira (8) uma descoberta que contradiz a principal teoria do povoamento da América. Com ajuda da extração de DNA de fósseis enterrados por mais de dez mil anos, ele puderam avaliar o código genético dos fósseis para descobrir quem são nossos antepassados.
“Até muito recentemente era praticamente impossível do ponto de vista técnico extrair DNA de ossos muito antigos. Porque no ambiente tropical que a gente vive há a degradação da matéria orgânica de forma geral e isso também se aplica ao DNA. Ela também é muito intensa”, disse André Strauss, Professor do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP.
O trabalho foi feito em conjunto pela USP, pela Universidade de Harvard e pelo Instituto Max Planck, da Alemanha. Os cientistas estudaram nove ossadas humanas da região de Lagoa Santa, em Minas Gerais. Dos mesmos sítios arqueológicos de Luzia, a ossada de uma mulher que teria vivido há mais de 11 mil anos e é considerada a primeira brasileira.
‘Nova’ Luzia
O fóssil de Luzia- o humano mais antigo da América do Sul- foi encontrado nos escombros do Museu Nacional no Rio e tinha desaparecido no incêndio que destruiu o museu no ínicio de setembro. Em outubro, pesquisadores encontraram o crânio de Luzia no meio dos escombros.
Existem duas teorias para a chegada dos seres humanos aos continentes americanos.
A primeira diz que somos descendentes de populações do leste asiático, que atravessaram o estreito de bering – na época, ele ainda se conectava à América do Norte – e desceram até chegar à América do Sul.
Mas, na década de 1990, foi criada um nova teoria. A de que os territórios americanos também foram povoados por humanos mais antigos ainda, os primeiros que já tinham saído da África, cruzado a Ásia e que teriam vindo direto para as Américas, até chegar ao Brasil.
A ideia surgiu porque os pesquisadores estudaram as medidas do crânio de Luzia e acharam que ele era mais largo do que os dos indígenas e mais parecido com o dos africanos.
Mas o resultado do estudo mostrou que a Luzia vai precisar de um rosto novo. O atual, com nariz e lábios mais grossos, foi feito com base na ideia de que ela descendia de povos africanos. Mas a análise do DNA mostrou que o código genético do povo de Lagoa Santa é semelhante ao de todos os povos indígenas da América e, neste caso, as feições seriam outras.
“Os dados genéticos apontam para a existência de uma principal leva migratória com possíveis eventos secundários envolvidos. Mas, a grosso modo, o cenário que a gente tem hoje é que 98% da ancestralidade ameríndia pode ser traçado a uma única chega na América. Em outras palavras, o povo de Luzia chegou à América junto com todas as demais populações que vieram do continente asiático”, disse Strauss.
Reconstrução do rosto de Luzia
TV Globo


Fonte:G1