Ex-vice Mnangagwa volta ao Zimbábue, diz agência

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O vice-presidente demitido do Zimbábue, Emmerson Mnangagwa, durante cerimônia em Harare em 7 de janeiro (Foto: Jekesai Njikizana/AFP)O vice-presidente demitido do Zimbábue, Emmerson Mnangagwa, durante cerimônia em Harare em 7 de janeiro (Foto: Jekesai Njikizana/AFP)

O vice-presidente demitido do Zimbábue, Emmerson Mnangagwa, durante cerimônia em Harare em 7 de janeiro (Foto: Jekesai Njikizana/AFP)

O ex-número dois do Zimbábue, Emmerson Mnangagwa, voltou ao país nesta quarta-feira (22), segundo um representante do partido governista Zanu-PF ouvido pela Associated Press. Ele deve tomar posse como presidente na sexta-feira.

Seu regresso ocorre após a renúncia de Robert Mugabe, que dirigiu o país com mão de ferro por 37 anos.

“A posse do camarada Mnangagwa está prevista para sexta”, informou o site do grupo audiovisual público ZBC. No exílio desde sua saída do poder, o ex-vice-presidente, de 75 anos, deve chegar a Harare hoje, às 18h locais (14h, horário de Brasília), acrescentou o ZBC.

Mnangagwa, de 75 anos, estava exilado desde sua destituição em 6 de novembro,

A nomeação é uma revanche para este cacique do regime, apelidado de “o crocodilo” por seu caráter inflexível. Mnangagwa, que ambicionava o poder, foi destituído por Mugabe, de 93 anos, que pretendia favorecer as ambições políticas de suas esposa, Grace,

Mas o veterano presidente calculou mal as consequências e a expulsão de Mnangagwa terminou com sua própria queda. Sob pressão do exército – que tomou o controle do país em 15 de novembro – e das manifestações nas ruas, Mugabe fez o que nunca achou que teria de fazer e renunciou.

Parlamentares do Zimbábue comemoram nesta terça-feira (21) após anúncio de que Mugabe renunciou ao poder (Foto: JEKESAI NJIKIZANA / AFP)Parlamentares do Zimbábue comemoram nesta terça-feira (21) após anúncio de que Mugabe renunciou ao poder (Foto: JEKESAI NJIKIZANA / AFP)

Parlamentares do Zimbábue comemoram nesta terça-feira (21) após anúncio de que Mugabe renunciou ao poder (Foto: JEKESAI NJIKIZANA / AFP)

A notícia foi dada em uma sessão extraordinária do Parlamento, convocado para debater uma moção de destituição de Mugabe, que controlou todos os aspectos da vida pública no Zimbábue desde sua independência, em 1980.

O anúncio foi comemorado nas ruas da capital, Harare, com buzinaços e gritos de alegria.

A renúncia põe fim a uma semana de incertezas sem precedentes.

Mugabe havia ignorado todos os chamados para se afastar do poder, e inclusive afirmou no domingo à noite, em um discurso televisionado, que presidiria o congresso do partido em dezembro.

Desde o início da crise, as vozes pedindo a renúncia do decano dos chefes de Estado em atividade no mundo se multiplicaram.

“Com ele no poder, a vida era um desafio. Você ia à escola, conseguia um diploma, mas, no final, acabava vendendo cartão telefônico nas ruas”, explicou à AFP Danny Time, formado eletricista.

O primeiro sucessor de Mugabe terá de reerguer a economia, em um país onde 90% da população está desempregada.

O Zimbabue declarou independência do Reino Unido em 1980, quando Mugabe conseguiu chegar ao poder. Até então, o país era conhecido como Rodésia.

Em 1980, Mnangagwa se tornou chefe de espionagem em meio a um conflito civil conhecido como o “Massacre de Gukurahundi”, que resultou na morte de mais de 20,000 pessoas no país.

Em 2015, uma série de documentos obtidos pelo jornal sul-africano “Daily Maverick”, veio à tona, indicando que Mugabe orquestrou o massacre e Mnangagwa estava ciente.

Desde então, o futuro líder ocupou diversos cargos públicos no país, atuando como Ministro da Justiça, Ministro das Finanças e Ministro das Relações Exteriores. Em 2014, tornou-se vice-presidente e passou a ser considerado como possível sucessor de Mugabe.

Grande parte do apoio de Mnangagwa vem de veteranos de guerra que o enxergam como líder de uma violenta campanha contra fazendeiros brancos e a oposição a Mugabe nos anos 2000. Além disso, ele é visto como um revolucionário por ter tido treinamento militar na China e no Egito, o que o teria ajudado a lutar pela independência do país. Ele também estudou na Escola de Ideologia de Pequim, controlado pelo Partido Comunista Chinês.

Mugabe deixa o poder no Zimbábue (Foto: Arte/G1)Mugabe deixa o poder no Zimbábue (Foto: Arte/G1)

Mugabe deixa o poder no Zimbábue (Foto: Arte/G1)

Mas a mudança de presente não garante mais democracia, afirma o analista Rinaldo Depagne, do International Crisis Group (ICG).

A população está consciente disso. “Com elementos do partido Zanu-PF ainda no poder, tenho dúvidas de que haja avanços”, comenta Munyaradzi Chihota, empresário de 40 anos. “Não queremos que troquem um ditador por outro”, afirma, por sua parte, Oscar Muponda, outro morador da capital Harare.

A Anistia Internacional já pediu ao novo presidente que evite os abusos de poder do passado, recordando que nos 37 anos de presidente Mugabe milhares foram torturadas, desapareceram ou foram assassinadas.

Fonte: G1

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