'Formação da identidade regional', diz historiador sobre a criação do Território Federal do Guaporé

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Historiador conversa com o G1 sobre a criação do Território Federal do Guaporé

Historiador conversa com o G1 sobre a criação do Território Federal do Guaporé

Há 75 anos, as terras que hoje pertencem a Rondônia eram na verdade dos estados do Amazonas (AM) e do Mato Grosso (MT). Aluízio Ferreira já estava na região desde o final da década de 20 e estudava como fazer a região crescer. Já que as obras da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) começam a decair, Aluízio criou núcleos de colonização agrícolas para abastecer Porto Velho e Guajará-Mirim.

Foi então que surgiu a ideia de argumentar e pedir para que o presidente da época, Getúlio Vargas, oficializasse a região, que era tido como um vazio demográfico, surgindo o Território Federal do Guaporé.

“Criar o Território foi um passo nesse processo de formação da população e da sociedade. Na época Vargas, a sociedade não levava em conta o povoamento indígena. Quando se fala em vazio é porque não tem ninguém no local, e nós tínhamos uma densa sociedade indígena que não foi levada em conta. Ainda assim, Vargas percebeu que era necessário colonizar e ocupar”, explica o professor e historiador Marco Teixeira.

Até se tornar estado, muitos processos aconteceram. Tentativas de ocupação na área do Madeira e do Mamoré foram frustradas, principalmente entre as localidades de Santo Antônio e Calama, por causa da alta taxa de insalubridade e mortalidade da época, na região.

” Foi preciso que o mundo passasse por revoluções para que Farquhar conseguisse chegar e iniciar a EFMM, e apartir desse núcleo, mais tarde se prepõe a criação do território. Ele constrói uma cidade pra começar a rodovia, constóri outra pra acabar a ferrovia, e esse núcleo intermediário é que dá origem a uma identidade regional, que vai nos levar a ser Rondônia”, finaliza.

Historiador fala sobre a importância da valorização dos monumentos

Historiador fala sobre a importância da valorização dos monumentos

Conforme Teixeira, o processo de colonização original da nossa região começa no Vale do Guaporé, por isso a escolha do nome. “Nosso primeiro marco colonial é lá, com os portugueses”, relembra.

Depois dos indígenas, a população guaporeana é a mais antiga, e hoje moram ainda na comunidade somente as populações negras originais, pois os portugueses foram embora alegando insalubridade.

“Nos documentos portugueses falam no Vale do Guaporé e apenas citam o Vale do Madeira, pois o eixo colonizador era o Guaporé, que produzia ouro, de drogas do sertão, estava próximo a Vila Bela e tinha a fortaleza, o Forte Príncipe da Beira, como elemento definidor de ocupação”, diz.

Infliência de Roquette Pinto

A ideia do termo ‘Rondônia’ foi proposta pela primeira vez em 1919, por Roquette Pinto, logo depois da obra de Marechal Cândido Rondon das linhas telegráficas. Conforme o professor Marco Teixeira, Roquette participou do trabalho e escreveu um livro chamado ‘Rondônia’, muito antes de se pensar em criar um território.

“Ele escreveu um livro sobre o trabalho de Rondon e essa identificação regional que ele decisivamente pensa nessa identidade territorial, de uma forma especifica, e dá o nome. Porém, esse nome só vai vir oficialmente depois, em 1956”, conclui.

Fonte: G1

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