Fundada em 1945, Unesco é guardiã do patrimônio cultural mundial

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Imagem de arquivo da sede da Unesco em Paris (Foto:  Reuters/Philippe Wojazer)Imagem de arquivo da sede da Unesco em Paris (Foto:  Reuters/Philippe Wojazer)

Imagem de arquivo da sede da Unesco em Paris (Foto: Reuters/Philippe Wojazer)

A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), entidade guardiã do patrimônio cultural da humanidade e de onde os Estados Unidos decidiram se retirar, já havia sido marginalizada pelos americanos entre 1984 e 2003.

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (12) oficialmente sua decisão de se retirar da Unesco, acusando a instituição de ser “anti-israelense”.

Em meados da década de 1980, o organismo atravessou uma crise com a retirada de Estados Unidos, Cingapura e Grã-Bretanha, que o criticavam por uma política muito pró-terceiro-mundo e uma má administração.

Com 195 Estados-membros e oito membros associados, a agência da ONU tem um objetivo ambicioso: “construir a paz na mente dos homens através da educação, ciência, cultura e comunicação”.

O conselho executivo da organização elege esta semana o seu próximo diretor-geral, que irá suceder a búlgara Irina Bokova, que completa dois mandatos marcados por dissensões políticas e dificuldades financeiras da organização.

Ao final do terceiro turno de votação, os candidatos do Catar, Hamad bin Abdoulaziz Al-Kawari, e da França, Audrey Azoulay, estavam empatados na quarta-feira.

Preservação de patrimônios mundiais

A Unesco é mais conhecida por seus programas educacionais e suas listas de patrimônios mundiais de bens culturais e sítios naturais de destaque como a cidade histórica síria de Palmira e o Parque Nacional do Grand Canyon, nos Estados Unidos.

A lista em constante evolução inclui 832 bens culturais classificados (Grande Muralha da China e Cidade Velha de Jerusalém, entre outros) e 206 sítios naturais (Ha Long Bay no Vietnã, Cataratas Victoria no Zimbábue, etc), espalhados por 167 Estados.

A operação de preservação de um patrimônio mundial ocorreu em 1960 com o deslocamento do Grande Templo de Abu Simbel no Egito para evitar sua inundação pelo rio Nilo durante a construção da barragem de Assuã. Essa campanha durou 20 anos.

Estados Unidos anunciam saída da Unesco

Estados Unidos anunciam saída da Unesco

Com sede em Paris, a Unesco possui mais de 50 escritórios e vários institutos e centros em todo o mundo, como o Instituto de Estatística (Montreal) ou o Escritório Internacional de Educação (Genebra).

O organismo foi precedido pela ICIC (Comissão Internacional para a Cooperação Intelectual, que foi criada em 1921 como parte da Liga das Nações, antepassada das Nações Unidas).

Algumas personalidades de prestígio participaram dessa comissão, incluindo Henri Bergson, Albert Einstein, Marie Curie, Thomas Mann e Bela Bartok.

A Unesco, como tal, foi fundada em 1945 no momento da criação das Nações Unidas. Sua constituição foi ratificada em 4 de novembro de 1946 por 20 países.

A Guerra Fria ou o processo de descolonização tiveram impacto na Unesco. A URSS só se tornou membro em 1954.

Em 1956, a África do Sul do apartheid, considerando que a Unesco interferia em “problemas raciais” do país, retirou-se e retornou apenas com Nelson Mandela em 1994.

EUA cancelou em 2011 contribuição financeira

A saída dos Estados Unidos, que são responsáveis por fornecer um quinto do financiamento da Unesco, representa um grande golpe para a organização.

Os Estados Unidos já haviam cancelado em 2011 sua substancial contribuição financeira para a Unesco em protesto contra decisão da agência de conceder ao palestinos o status de membros plenos.

Essa decisão não foi tomada facilmente, e reflete as preocupações dos EUA com crescentes contas atrasadas na Unesco, a necessidade de reformas fundamentais na organização e o contínuo viés anti-Israel”, disse a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano Heather Nauert em comunicado.

Horas depois, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que Israel também deixará a organização, e chamou a decisão dos EUA de “corajosa e moral”.

Os EUA e Israel estão entre os apenas 14 de 194 países membros da organização que votaram contra a admissão dos palestinos. O governo norte-americano não paga seus US$ 80 milhões anuais desde então, o que significa uma conta acumulada que supera os US$ 500 milhões.

Apesar de Washington apoiar um futuro Estado palestino independente, o governo dos EUA diz que são necessárias negociações de paz para a sua formação, e considera prejudicial ao processo que organizações internacionais admitam os palestinos antes da conclusão das negociações.

A diretora-geral acrescentou que a decisão dos EUA representa uma perda para o multilateralismo e para a família ONU.

Fonte: G1

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