Globo Rural – Exames confirmam que botulismo é causa da morte de mil animais

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Em Mato Grosso do Sul, exames confirmam o botulismo como a causa da morte de mais de mil bois. O caso aconteceu num confinamento e as imagens chocaram pelo grande número de animais mortos.

A fazenda Mônica Cristina tentou manter o ritmo normal de trabalho, mas entre uma vistoria e outra, funcionários ainda encontravam animais caídos nos piquetes. Um novilho não conseguiu se levantar e minutos depois já estava deitado, agonizando. Nos últimos dias, as mortes foram pontuais, bem diferente do que aconteceu na semana passada.

O confinamento tinha 1,7 mil animais, com idades entre dois e três anos. Eles estavam na fase final de engorda e seriam encaminhados para o abate em, no máximo, dois meses. Tudo aconteceu muito rápido. Em apenas quatro dias, 1,1 mil animais morreram!

Nas imagens cedidas pelo dono do confinamento, muitos bovinos aparecem sem coordenação motora, eles se deitam e, com dificuldade para respirar, acabam morrendo.

Uma grande operação foi necessária para enterrar os animais, com caminhões, tratores e retroescavadeiras, tudo para cumprir as exigências sanitárias.

Moacir Muller, veterinário responsável pela nutrição dos animais, diz que a fazenda produz a própria ração, uma mistura com silagem de capim, farelo e casca de soja, caroço de algodão, ureia, minerais e silagem de milho reidratada. Ele acredita que o problema que causou as mortes estava no milho.

Logo depois das mortes, a fazenda deixou de usar o produto de uma das bolsas. O material foi encaminhado para análise.

A Iagro confirmou, por meio de exames em camundongos, que os bovinos morreram intoxicados por causa da toxina do botulismo encontrada na ração. O botulismo é uma doença rara, mas grave. Dependendo da concentração, a toxina pode matar um rebanho inteiro.

O veterinário Pedro Paulo Pires, da Embrapa Gado de Corte de Campo Grande, explica que o armazenamento de milho úmido em ambientes fechados pode se tornar uma armadilha para o criador.

Existe vacina contra o botulismo. Ela não é obrigatória, mas é indicada para bovinos confinados. A fazenda informa que os animais foram vacinados em junho e que exames devem apontar porque ela não foi eficaz.

A fazenda mandou dois animais doentes para a Universidade Federal, em Campo Grande. Lá, os pesquisadores vão examinar os bois para tentar propor um protocolo, uma nova maneira de agir, em situações como essa.

 

Fonte: G1

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