'Man of the woods': Justin Timberlake ataca de 'lenhador urbano' e se perde entre funk e country; G1 ouviu

0

Justin Timberlake até foi corajoso na ideia de “Man of the woods”: juntar arranjos modernizados de funk e r&b norte-americano (mais ou menos o que ele já fazia) com melodias de country e folk (novidade para ele). O resultado é irregular e está abaixo do potencial dele.

No título (“Man of the woods”, homem da floresta) na capa (duas fotos divididas com roupas “da cidade” e “do campo”, na floresta e numa mata enfumaçada) e no o vídeo-teaser abaixo com ele correndo no campo e num milharal, a estética é do “lenhador urbano” – antenado e “de raiz”.

Parceiros do campo e da cidade

Os parceiros ajudam na tarefa: o lado lenhador é forte em colaborações com o astro country Chris Stapleton (“Say something”, “The hard stuff” e “The morning light”, todas baladas tradicionais com discretos acréscimos eletrônicos, a última com a voz de Alicia Keys).

E o “urbano” vem com os velhos amigos Timbaland e Pharrell Williams. No fim das contas, esta segunda e já manjada faceta do pop dançante tem bem mais espaço – especialmente nos primeiros singles (o electro futurista “Filthy” e a tentativa de rap contemporâneo “Supplies”).

O primeiro problema é que Timbaland e Pharrell não estão na crista da onda como no começo da careira de Justin, quando ajudaram no ótimo início da carreira solo, dos discos “Justified” (2002) e “FutureSex/LoveSounds” (2006).

Naquela época, Justin Timberlake era uma coisa boa demais para ser verdade: de repente todo mundo percebeu que o cara do ‘N Sync sabia mesmo cantar, tinha músicas matadoras e abraçava com fôlego e ritmo o então moderno batidão destes produtores.

Quinze anos depois, a verdade é que há concorrentes mais fortes em alguns fundamentos do jogo de Justin (que já não é nem o cantor mais famoso do mundo chamado Justin):

Dá para entender a tentativa em “Man of the woods” de mostrar suas qualidades únicas, tanto revelando origens pessoais – Timberlake veio do interior dos EUA, do Tennessee – quanto reafirmando as origens musicais no pop dos anos 70.

Há acertos dos dois lados. Entre as baladas, a melhor é a que não tem participação de Chris Stapleton (será que ele escolheu errado o parceiro de dupla sertaneja?). “Flannel” vai de folk a um arranjo à capella que faz um elo esperto entre os graves de Timbaland e a balada tradicional.

No outro lado, o primeiro single, “Filthy”, tem pegada, mas não é nada menos do que se espera de quem já fez “SexyBack”. “Midnight Summer Jam” tem o mesmo sacolejo e um riff de guitarra à la Nile Rodgers que credenciam como música de trabalho.

Mas o segundo single é “Supplies”, que pega pesado na tentativa de carona no trap – o vocal de rap no fundo fazendo “brrrr” parece uma paródia de hits atuais. Fica aquele clima de tiozão que tentou imitar o som “da moçada”.

O disco de 16 faixas e desnecessários 65 minutos enche linguiça com os reggaes constrangedores “Wave” e “Young man”. Nem Meghan Trainor faria um balancinho tão sem graça.

Ele tenta ser “picante” em “Sauce”, que descamba para um pop engraçadinho e até divertido. Mas se o objetivo do ouvinte for esse, é melhor largar todos esses conceitos e essa pompa e ir direto e’N Sync.

Fonte: G1

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here