Militares negam golpe no Zimbábue e dizem que presidente está bem

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Soldados são vistos em tanque na capital Harare, no Zimbábue, na madrugada de quarta-feira (15) (Foto: Tsvangirayi Mukwazhi / AP Photo)Soldados são vistos em tanque na capital Harare, no Zimbábue, na madrugada de quarta-feira (15) (Foto: Tsvangirayi Mukwazhi / AP Photo)

Soldados são vistos em tanque na capital Harare, no Zimbábue, na madrugada de quarta-feira (15) (Foto: Tsvangirayi Mukwazhi / AP Photo)

Um porta-voz militar do Zimbábue enviou, nesta quarta-feira (15), uma mensagem ao povo para dizer que tanto o presidente do país, Robert Mugabe, como sua família, estão “a salvo” e desmentir que esteja ocorrendo um “golpe militar” no país.

No discurso, o porta-voz afirmou que seu alvo são “criminosos” do entorno de Mugabe.

Através da emissora de TV estatal, o porta-voz disse que não se trata de uma tomada militar do governo. “O que essas forças querem é pacificar uma situação degenerada política e socialmente no nosso país que, se não for tomada uma providência, pode resultar em um conflito violento. Assim que cumprirmos nossa missão, esperamos que a situação volte ao normal”.

O porta-voz pediu que todos os “veteranos de guerra” da luta pela libertação do Zimbábue desempenhem o papel de assegurar a paz, estabilidade e unidade.

Ele também pediu que as forças de segurança cooperem para o bem do país.

Esta mensagem foi enviada horas depois de soldados ocuparem a sede da emissora de TV estatal, a ZBC, segundo informações divulgadas pela imprensa local.

Também foi relatado informações sobre várias explosões na capital, Harare, embora as causas sejam desconhecidas.

Diante da complicada situação criada no país africano, embaixadas como as do Reino Unido e Estados Unidos recomendaram aos seus cidadãos que permaneçam em suas casas.

A escalada de tensão no Zimbábue teve início na tarde de terça (14), quando vários tanques foram vistos em direção a Harare, apenas no dia seguinte a advertência feita pelo chefe das Forças Armadas, Constantine Chiwenga, que “medidas corretivas” seriam tomadas se continuassem a saída de veteranos no partido do presidente Robert Mugabe, de 93 anos e no poder desde 1987.

Na semana passada, o antigo vice-presidente do país, Emmerson Mnangagwa, veterano de guerra que aparecia como sucessor do presidente, foi destituído do cargo.

Mnangagwa fugiu para a África do Sul e em comunicado disse que “em breve controlaria as molas do poder e do país”.

A mulher de Mugabe surge agora como substituta de Mnangagwa, com o apoio das influentes alas jovens do partido e das mulheres.

A presença de tropas, incluindo a movimentação de ao menos seis veículos blindados a partir de um quartel a noroeste de Harare, despertou rumores de golpe contra Mugabe, embora não haja evidência que sugira que o líder do Zimbábue pelos últimos 37 anos tenha sido derrubado.

O comandante do exército do Zimbábue, Constantino Chiwenga, durante coletiva de imprensa na segunda-feira (13), em Harare (Foto: Jekesai Njikizana / AFP Photo)O comandante do exército do Zimbábue, Constantino Chiwenga, durante coletiva de imprensa na segunda-feira (13), em Harare (Foto: Jekesai Njikizana / AFP Photo)

O comandante do exército do Zimbábue, Constantino Chiwenga, durante coletiva de imprensa na segunda-feira (13), em Harare (Foto: Jekesai Njikizana / AFP Photo)

O país do sul da África tem estado inquieto desde segunda-feira (13), quando Constantino Chiwenga, comandante das Forças de Defesa do Zimbábue, disse estar preparado para “interferir” para acabar com um expurgo de apoiadores do vice-presidente Emmerson Mnangangwa, demitido na semana passada.

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, participa de comício ao lado de sua mulher, Grace, em Chinhoyi (Foto: Philimon Bulawayo / Reuters)O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, participa de comício ao lado de sua mulher, Grace, em Chinhoyi (Foto: Philimon Bulawayo / Reuters)

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, participa de comício ao lado de sua mulher, Grace, em Chinhoyi (Foto: Philimon Bulawayo / Reuters)

Mnangagwa, aliado próximo de Mugabe desde a guerra da independência na década de 1970, criticou duramente o presidente e a primeira-dama, Grace Mugabe, em um encontro com militantes na última quinta-feira (9), no qual denunciou que ambos “privatizaram e comercializaram a nossa amada instituição”.

Mnangagwa deixou o país e afirmou que sua “saída repentina” se deve a “incessantes ameaças” contra ele e sua família, que estão agora na África do Sul. O ex-vice-presidente, que se postulou como um dos possíveis candidatos a suceder o veterano Mugabe, anunciou que está disposto a voltar para dirigir o partido do presidente, a União Nacional Africana do Zimbabue-Frente Patriótico (ZANU-PF).

O ex-vice-presidente tem fortes vínculos com o Exército, após ter ocupado o cargo de ministro da Defesa.

Na segunda, o comandante do Exército disse que o expurgo de apoiadores do vice deve acabar. “O expurgo atual que claramente visa a membros do partido (…) deve parar imediatamente”, declarou o general Chiwenga em coletiva de imprensa, à qual assistiram 90 militares de alta patente nos escritórios do exército na capital. “Devemos lembrar-lhes a quem está por trás destes acertos desleais que quando se trata de proteger nossa revolução, os militares não hesitarão em intervir”, alertou.

Depois, o partido do governo acusou o comandante do Exército de “conduta traidora” em um comunicado emitido na noite de terça (horário local). Segundo o governo, os comentários feitos por Chiwenga na véspera foram “claramente calculados para perturbar a paz e estabilidade nacionais” e tiveram como propósito “incitar a insurreição” no país.

Mugabe, de 93 anos, que governa este país do sul da África desde 1980, anunciou que se candidatará às eleições de 2018, embora alguns altos cargos do seu partido queiram substituí-lo no poder, algo que provocou enfrentamentos no seio da legenda. Ele foi o único líder do Zimbábue desde que o país se tornou independente do Reino Unido.

Analistas apontam a primeira-dama como uma das principais candidatas a suceder o presidente ou como sua vice em um novo mandato.

A própria Grace Mugabe afirmou em um encontro com eleitores do seu partido que “Mnangagwa odeia Mugabe desde que o país conseguiu a independência” e disse que se “encarregaria pessoalmente” de que fossem iniciados “procedimentos disciplinares” contra o vice-presidente.

Fonte: G1

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