Mulheres que deixaram os estudos para cuidar dos filhos fazem o Encceja no AP

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Autônoma Dione dos Santos, de 35 anos, sonha em voltar a estudar (Foto: Jorge Abreu/G1)Autônoma Dione dos Santos, de 35 anos, sonha em voltar a estudar (Foto: Jorge Abreu/G1)

Autônoma Dione dos Santos, de 35 anos, sonha em voltar a estudar (Foto: Jorge Abreu/G1)

Não é fácil conciliar os estudos com a dedicação ao lar. Após quase duas décadas fora das salas de aula, a autônoma Dione dos Santos, de 35 anos, viu a oportunidade de concluir o ensino médio no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) 2017. Ela conta que casou cedo e não conseguiu estudar como queria.

A candidata saiu de Santana para prestar a prova neste domingo (19) em Macapá. Com percurso de 17 quilômetros, ela apanhou um ônibus e depois pegou um mototaxi para chegar a tempo na Escola Estadual José Firmo do Nascimento, localizada na Zona Sul.

Foi o filho de 19 anos da autônoma que a inscreveu para participar da prova. Para Dione, o drama que viveu é a realidade de muitas outras mulheres do país que lidam com a responsabilidade de cuidar da casa sozinha.

“Muitos fatores colaboraram para eu deixar os estudos, um deles é ter casado cedo aos 16 anos. Eu tive que escolher entre a responsabilidade de mãe e os estudos, então optei por criar e ajudar a sustentar os filhos. Isso é uma realidade da mulher no Brasil”, destacou.

Caso seja aprovada, Dione quer ingressar em algum curso que a ajude no trabalho de vendas. Ela destaca que não teve tanto tempo para se preparar para a prova, mas que não achou as questões tão difíceis como imaginava.

“Se eu obter a certificação, quero partir para uma faculdade ou curso técnico. Ainda não tenho nada em mente, mas quero me qualificar profissionalmente. Eu não estudei muito e foi meu filho que me inscreveu porque sabia que eu queria terminar os estudos. Estou confiante”, disse.

Dona de casa Maria Sebastiana percorreu mais de 250 quilômetos para fazer o Encceja (Foto: Jorge Abreu/G1)Dona de casa Maria Sebastiana percorreu mais de 250 quilômetos para fazer o Encceja (Foto: Jorge Abreu/G1)

Dona de casa Maria Sebastiana percorreu mais de 250 quilômetos para fazer o Encceja (Foto: Jorge Abreu/G1)

A dona de casa Maria Sebastiana, de 39 anos, também teve que abandonar os estudos para se dedicar a família. Ao saber do Encceja, ela logo quis tentar a conclusão do ensino médio da forma rápida para em seguida ingressar em uma faculdade.

A força de vontade da Maria Sebastiana fez com que saísse de Tartarugalzinho para fazer a prova na capital. Foram 256 quilômetros de trajeto. Para ela, o sonho de voltar a estudar falou mais alto que as dificuldades atuais.

“Meu plano é uma faculdade. Quero recuperar o tempo que perdi, assim como muitas outras pessoas que também fizeram a prova. Independente de idade, todos têm essa oportunidade de concluir os estudos”, finalizou a dona de casa.

Em todo o Amapá mais de 23,5 mil candidatos são esperados para a prova. Destinado a pessoas que não conseguiram concluir os estudos na idade ideal, o exame é aplicado em 64 escolas divididas nos municípios de Macapá, Laranjal do Jari e Oiapoque.

Do total de inscritos no estado, 5.631 são para obter certificação no ensino fundamental e 17.964 para o médio. A abertura dos portões, pela manhã, foi às 7h e o início das provas às 8h, com término às 12h. Pela tarde, a entrada dos candidatos será liberada às 13h30 e a aplicação do exame é às 14h30, com término às 19h30 (horário local).

São 30 questões objetivas para cada área do conhecimento, além da redação. Cada questão apresenta quatro alternativas. A diferença entre as provas para os ensinos fundamental e médio encontra-se na divisão das áreas do conhecimento e nos conteúdos abordados, devido ao grau de exigência de cada nível.

Para obter a certificação, o participante deve alcançar uma pontuação mínima nas provas objetivas e na redação. É exigido que o candidato alcance 100 pontos de 200 em cada disciplina, ou seja, 50% de acerto. Da mesma forma, a redação também precisa de um aproveitamento de pelo menos 50%.

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Fonte: G1

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