'Não vamos renunciar aos nossos direitos', diz presidente catalão sobre referendo

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Carles Puigdemont (Foto: Pierre-Philippe Marcou/AFP)Carles Puigdemont (Foto: Pierre-Philippe Marcou/AFP)

Carles Puigdemont (Foto: Pierre-Philippe Marcou/AFP)

O presidente catalão, o separatista Carles Puigdemont, declarou neste sábado (30) à AFP que ele e seus simpatizantes não vão abrir mão de seus direitos e vão participar, neste domingo (31), do referendo sobre a independência da região, apesar da oposição do governo espanhol.

“O que não vai acontecer é nós irmos para casa e renunciarmos aos nossos direitos (…) O governo fez tudo que pôde para que possa acontecer em total normalidade”, garantiu Puigdemont, a 24 horas do referendo de autodeterminação proibido pela Justiça, pedindo aos catalães que evitem qualquer ato de violência.

Ele também pediu uma mediação para solucionar o conflito que opõe a região separatista e Madri. “Qualquer que seja o cenário, quer vença o ‘sim’, ou o ‘não’, deve haver uma mediação”, disse à AFP.

Manifestantes defendem a unificação da Espanha em marcha na cidade de Barcelona, neste sábado (30) (Foto: Reuters/Yves Herman)Manifestantes defendem a unificação da Espanha em marcha na cidade de Barcelona, neste sábado (30) (Foto: Reuters/Yves Herman)

Manifestantes defendem a unificação da Espanha em marcha na cidade de Barcelona, neste sábado (30) (Foto: Reuters/Yves Herman)

Milhares de pessoas se manifestaram neste sábado (30) em diversas cidades do país. Grupos em defesa da unidade da Espanha carregavam bandeiras do país, enquanto grupos menores defendiam a separação.

Em Madri, os manifestantes se concentraram em frente à Prefeitura, na Plaza de Cibeles, no coração da capital, convocados por um coletivo conservador – a Fundação para a Defesa da Nação Espanhola (Denaes).

Em Barcelona, uma manifestação similar reuniu centenas de pessoas na praça Sant Jaume, onde ficam a Prefeitura e o palácio da Generalitat, órgão regional de governo da Catalunha.

Também houve concentrações pró-unidade da Espanha em Valhadolid, Santander, Sevilha, Málaga (sul), Valência (leste) e Alicante (sudeste). Na Galícia (noroeste), foram convocadas manifestações em La Coruña e em Santiago de Compostela.

Preparação para o referendo

O governo regional afirma que “está tudo pronto” para a realização do referendo nas mais de 2 mil seções eleitorais, e os organizadores dizem que 60 mil pessoas já se inscreveram. No entanto, o governo espanhol considera o referendo ilegal, reivindicando que a Constituição declara que o país é indivisível, e diz que ele não irá ocorrer. 5,3 milhões de cidadãos estão convocados a votar.

Nesta sexta, o chefe da polícia da Catalunha ordenou que os policiais desalojem sem violência todos os centros de votação no domingo às 6h (horário local). Alguns colégios eleitorais foram ocupados por defensores do referendo para impedir que os locais fossem fechados, como foi solicitado pela juíza que investiga o governo regional por desobediência, desfalque e prevaricação.

O governo espanhol também confiscou cédulas e materiais de propaganda eleitoral, ordenou o bloqueio dos sites oficiais com informações sobre a votação, e deteve membros importantes do governo regional na organização do referendo, que foram colocados em liberdade condicional. Para o domingo, enviou à região 10 mil policiais como reforço para impedir as pessoas de votarem.

Cartazes defendem o referendo sobre a separação da Catalunha em prédio da Universidade de Barcelona, na Espanha, neste sábado (30). (Foto: Reuters/Yves Herman)Cartazes defendem o referendo sobre a separação da Catalunha em prédio da Universidade de Barcelona, na Espanha, neste sábado (30). (Foto: Reuters/Yves Herman)

Cartazes defendem o referendo sobre a separação da Catalunha em prédio da Universidade de Barcelona, na Espanha, neste sábado (30). (Foto: Reuters/Yves Herman)

Os separatistas são maioria no Parlamento catalão desde 2015, mas as pesquisas indicam que a sociedade catalã está muito dividida. A última pesquisa feita pelo governo catalão, em junho, mostrou que 49% eram contra a independência e 41% a favor.

No referendo de 2014, que também foi declarado inconstitucional por Madri, quase 1,9 milhão (80%) de catalães votaram pela independência, embora a participação tenha sido de 37%.

O embate entre autoridades da Catalunha e do governo central da Espanha em torno do referendo independentista desperta a curiosidade sobre o movimento separatista na região e suas motivações.

O sentimento separatista surge de uma soma de diversos fatores, entre eles históricos, culturais e econômicos.

Fonte: G1

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