Noel Gallagher e Foster the People fazem shows mornos no Summer Break Festival em SP

Espaço para 25 mil pessoas no Anhembi recebeu 10 mil em dia chuvoso com shows pouco animados do ex-líder do Oasis e da banda dos EUA. Noel Gallagher
Fábio Tito / G1
O Anhembi e a noite desta quinta-feira (8) não foram o melhor local e data para ver Noel Gallagher e Foster the People. A edição em Sâo Paulo do Summer Break Festival teve alguns bons momentos, mas em geral foi de fria a morna.
Veja FOTOS dos shows de Noel Gallagher e Foster the People
O espaço que comporta até 25 mil pessoas recebeu 10 mil, segundo a organização, que viram shows de 90 minutos cada um. Os ingressos mais caros que custavam até R$ 600 eram encontrados por R$ 180 na porta.
Os fãs viram shows honestos e esforçados, especialmente de Noel Gallagher, mas que seriam mais legais em uma casa menor e fechada – ainda mais que a noite começou chuvosa e terminou fria.
Noel Gallagher
Fábio Tito / G1
Noel para íntimos
Noel fez um show bonito, mas que puxou mais para o seu lado introspectivo. Vide uma das seis músicas do Oasis, sua ex-banda, que ele colocou entre as 18 do repertório: “Half the world away”, balada melancólica querida pelos fãs, mas longe de ser hit.
Não que tenha sido escolha errada. Pelo contrário, “Half the world away” foi uma das melhores do show, ainda mais introduzida por uma conversa engraçada de Noel com uma fã na grade.
Ele ironizou os gritos da fã, fez pose de rabugento, mas no fim dedicou a música a ela. Talvez tenha sido calculado, mas deu um toque de despretensão e honestidade ao show.
A boa performance da banda High Flying Byrds esbarrou num erro técnico: o microfone da segunda voz estava alto demais, e a voz de Noel que já não é a das mais fortes em volume normal era soterrada pela do baixista Russell Pritchard, que também não é grande vocalista.
Do disco atual, “Who built the moon?”, algumas faixas animadas (mas que não animaram tanto assim), como “Holy mountain”, e outras mais viajadas como “The right stuff”, com uma boa vocalista convidada, Yseé.
Mesmo com as obrigatórias “Wonderwall” e “Don’t look back in anger”, boas para shows em arena, fica claro que o show de Noel seria melhor em lugar um pouco mais intimista. Sorte do público de Belo Horizonte, que vai vê-lo no Km de Vantagens Hall, no sábado (10).
Foster não engrenou
Foster the People se apresentam em São Paulo
Fábio Tito/G1
Mais fora de lugar ainda parecia Mark Foster, líder do Foster the People, que tocou antes de Noel, quando ainda chovia no Anhembi. De terno vermelho, ele se esforçou, mas fez um show bem menos empolgante do que os anteriores da banda por aqui.
O show reforça o que a banda mostrou no disco “Sacred Hearts Club”, lançado no ano passado. O Foster the People, que foi jogado no balaio do “indie rock” sem ser uma coisa e nem outra, virou um pop dançante disforme.
Têm umas letras meio “engajadas”, mas em formato pop de rádio que lembra Jessie J (“Pay the man”) e um forçado momento “roqueiro” que é até divertido, com “Lotus eater” e cover de “Blitzkrieg bop”, dos Ramones.
Ainda rolou um discurso semipolítico que termina em “as coisas vão passar” e “vão ficar melhores se vivermos nossas vidas com amor”.
E tem a música mais estranha do disco novo, o rap/EDM bizarro “Sid and Nancy”, com vocal até corajoso de Mark, mas deixa todo mundo meio com cara de interrogação.
Nem o coro no hit “Pumped up kicks” chegou perto do que se viu do Foster the People em outros festivais do Brasil.
Até porque o Summer Break não foi nem um festival de verdade, nem um show separado para fãs – ao mesmo tempo superdimensionado e incompleto.


Fonte:G1