Nos 103 anos de Porto Velho, G1 ouve histórias de pescadores sobre a extinta cachoeira de Teotônio

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Além da pesca, Cachoeira de Teotônio atraía turistas de várias regiões do país (Foto: Apolônio Junior/Saudosismo Portovelhense)Além da pesca, Cachoeira de Teotônio atraía turistas de várias regiões do país (Foto: Apolônio Junior/Saudosismo Portovelhense)

Além da pesca, Cachoeira de Teotônio atraía turistas de várias regiões do país (Foto: Apolônio Junior/Saudosismo Portovelhense)

Nesta segunda-feira (2) o município de Porto Velho completa 103 anos de criação. Em homenagem a esta data, a reportagem do G1 conversou com pescadores sobre as aventuras vividas por eles na extinta cachoeira de Teotônio, no Rio Madeira. A queda d’água desapareceu após a construção da Hidrelétrica de Santo Antônio.

Histórica por ser um dos primeiros pontos habitados da capital rondoniense, distante cerca de 40 quilômetros do centro da cidade, a antiga Cachoeira de Teotônio era uma das dezenas de obstáculos que a natureza colocou no Rio Madeira, já que ela impedia a livre navegação entre Porto Velho e Guajará-Mirim, na fronteira com a Bolívia.

Muito embora fosse considerada uma região perigosa, onde era registrada uma média anual de 15 a 20 mortes por afogamento, segundo informações de historiadores, o local era ponto de visitação constante, principalmente dos adeptos da pescaria.

Pedras representavam risco a quem se arriscava pescar no meio do rio (Foto: Apolônio Junior/Saudosismo Portovelhense)Pedras representavam risco a quem se arriscava pescar no meio do rio (Foto: Apolônio Junior/Saudosismo Portovelhense)

Pedras representavam risco a quem se arriscava pescar no meio do rio (Foto: Apolônio Junior/Saudosismo Portovelhense)

“Tinha muita gente que ia à cachoeira pescar e beber. Alguns acabavam se arriscando nas pedras escorregadias existentes no meio do ‘tombo”, explica o comerciante Marcos Yushimine, de 64 anos.

“Comecei a frequentar a Cachoeira ainda em 1978, nunca sofri um acidente, mas presenciei alguns”, acrescenta Marcos.

São muitas histórias trágicas, contudo as que Marcos Yushimine gosta de contar são sobre os grandes peixes que ele conseguia pescar na região.

“Costumava pegar Jaú, um dos maiores peixes de água doce do mundo. Antes da pescaria tinha todo um preparativo e nunca gostei de improvisar”, conta.

Do amor pela pescaria, o comerciante acabou montando uma loja de vendas de equipamento para pesca esportiva. “Ainda pesco na região onde hoje é a nova vila de Teotônio, mas já não é a mesma coisa, prefiro ir mais longe, lá pra região de Jaci-Paraná, por exemplo”.

Marcos Yushimine, de 64 anos, começou a pescar na cachoeira em 1978 (Foto: Toni Francis/G1)Marcos Yushimine, de 64 anos, começou a pescar na cachoeira em 1978 (Foto: Toni Francis/G1)

Marcos Yushimine, de 64 anos, começou a pescar na cachoeira em 1978 (Foto: Toni Francis/G1)

Outro saudosista é o pedreiro Edmundo Dória Filha, de 65 anos, que, mesmo tendo quase morrido no local, lembra da Cachoeira com carinho. É dele uma das mais incríveis histórias já ouvidas sobre a região.

“Não lembro o ano, mas fazia-se fila de pescadores, cada um tinha a vez para tarrafear. De repente lá se vai um pescador com tarrafa e tudo. Todos gritaram: ‘lá se foi mais um presunto’. Isso porque quem caía ali, dificilmente sobrevivia. Quando chegou minha vez de tarrafear, lancei a tarrafa e logo ela pesou. ‘Que peixe grande’, pensei. Quando puxei era um pescador que alguns minutos antes havia caído com rede de pesca e tudo”, conta o pedreiro.

Edmundo também já foi salvo por outros pescadores.

“Estava em uma das pedras do ‘tombo’, quando joguei a tarrafa e fui junto com a rede, mas pra minha sorte, outro pescador estava agarrado na corda da tarrafa e me puxou de volta. Outra vez estava deitado sobre a pedra e fui levado pela água. Protegi minha cabeça como pude e, quando boiei mais em baixo, estava todo ralado, com escoriações por todo o corpo, mas não bati a cabeça. Aquilo parecia um liquidificador gigante”, conta, dizendo que as mortes aconteciam por que as vítimas batiam a cabeça.

Com construção da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, a cachoeira desapareceu e, além da retirada da população do local, os pescadores também se afastaram.

“Hoje existe muita pesca predatória e subaquática. Não é mais tão bom assim”, reclamam os dois pescadores que hoje contam histórias de outros lugares.

“Buscamos histórias bem mais longe a gora”, brinca o comerciante Yushimine.

O pedreiro Edmundo Dória, de 65 anos, conta que pescou um homem na Cachoeira de Teotônio (Foto: Toni Francis/G1)O pedreiro Edmundo Dória, de 65 anos, conta que pescou um homem na Cachoeira de Teotônio (Foto: Toni Francis/G1)

O pedreiro Edmundo Dória, de 65 anos, conta que pescou um homem na Cachoeira de Teotônio (Foto: Toni Francis/G1)

Fonte: G1 / RO

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