O acordo secreto que garantiu a fuga de centenas de homens do Estado Islâmico na Síria

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O acordo secreto que garantiu a fuga de centenas de homens do Estado Islâmico na Síria (Foto: Reprodução/BBC)O acordo secreto que garantiu a fuga de centenas de homens do Estado Islâmico na Síria (Foto: Reprodução/BBC)

O acordo secreto que garantiu a fuga de centenas de homens do Estado Islâmico na Síria (Foto: Reprodução/BBC)

Imagine dirigir um caminhão pelas cidades bombardeadas da Síria… com extremistas do autoproclamado Estado Islâmico na caçamba.

Até pouco tempo atrás considerada a capital do Estado Islâmico, a cidade de Raqqa, na Síria, foi retomada pelas Forças Democráticas Sírias no mês passado.

Mas só agora veio à tona a verdade sobre o acordo que foi feito para dar fim à batalha pela cidade.

Ele foi aceito pela coalizão das Forças Democráticas Sírias – liderada pelos curdos e integrada por soldados de dezenas de nacionalidades e religiões diferentes.

Pensava-se que apenas alguns jihadistas locais do EI tinham sido liberados, sem carregarem armas. Nenhum tipo de armamento nem extreministas vindos de outros países teriam saído da cidade.

No entanto, vídeos feitos por cinegrafistas amadores mostram um combio de caminhões carregando centenas de combatentes do EI – durante a evacuação, a presença da mídia não foi permitida e nenhuma filmagem da fuga foi autorizada.

Os motoristas foram contratados pelas Forças Democráticas Sírias. Eles ouviram que dirigiriam por algumas horas levando civis para fora da cidade.

Mas na verdade tiveram que carregar jihadistas, boa parte estrangeiros, por dias.

O eixo de um dos caminhões chegou a quebrar porque estava sobrecarregado com as armas carregadas pelos extremistas em fuga.

Um motorista diz que havia 47 caminhões, 13 ônibus e alguns veículos dos próprios combatentes.

“Nosso comboio chegava a seis ou sete quilômetros de comprimento. Levamos 4 mil pessoas, incluindo mulheres e crianças”, diz.

Aeronaves da coalizão de defesa da Síria sobrevoaram o comboio sem fazer nada.

Os caminhões passaram pela vila de Shanina. Lá, um comerciante diz que os extremistas deixaram a estrada principal, pegando uma trilha no deserto. Eles disseram que iriam decapitar qualquer um que os denunciasse.

“Vai demorar um pouco para nos livrarmos do trauma e do medo”, afirma uma moradora. “A gente sente que eles podem voltar para nos pegar ou mandar espiões. Ainda não temos certeza de que eles realmente se foram.”

Por que há uma guerra na Síria?

A guerra civil na Síria já dura mais de seis anos. Ela começou com a perseguição da oposição pelo governo de Bashar al-Assad durante a revolta inspirada pela chamada Primavera Árabe.

A violência rapidamente aumentou no país: grupos rebeldes se reuniram em centenas de brigadas para combater as forças oficiais e retomar o controle das cidades e vilarejos.

Em 2012, os enfrentamentos chegaram à capital, Damasco, e à segunda cidade do país, Aleppo.

O conflito já havia, então, se transformado em mais que uma batalha entre aqueles que apoiavam Assad e os que se opunham a ele – adquiriu contornos de guerra sectária entre a maioria sunita do país e xiitas alauitas, o braço do Islamismo a que pertence o presidente.

Durante a presidência de Barack Obama, os Estados Unidos culpavam Assad pela maior parte das atrocidades cometidas no conflito e exigiam que ele deixasse o poder como pré-condição para a paz.

A rebelião armada da oposição evoluiu significativamente desde suas origens.

O número de membros da oposição moderada secular foi superado pelo de radicais e jihadistas – que defendem a chamada “guerra santa” islâmica. Entre eles estão o autointitulado Estado Islâmico e a Frente Nusra, afiliada à al-Qaeda.

Os combatentes do EI – cujas táticas brutais chocaram o mundo – criaram uma “guerra dentro da guerra”, enfrentando tanto os rebeldes da oposição moderada síria quanto os jihadistas da Frente Nusra.

Hoje a principal força lutando contra o EI são as Forças Democráticas Sírias, uma aliança de milícias de sírios curdos, árabes, assírios, armênios, turcos e circassianos. Eles defendem um governo secular e democrático e são apoiados pelos Estados Unidos e por potências europeias como o Reino Unido e a Alemanha.

Fonte: G1

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