O que quer o AfD, que deve ser 1º partido anti-imigração a chegar ao Parlamento alemão desde a 2ª Guerra

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Um cartaz de campanha da AfD diz: 'Pare a islamização' (Foto: Reuters/Wolfgang Rattay)Um cartaz de campanha da AfD diz: 'Pare a islamização' (Foto: Reuters/Wolfgang Rattay)

Um cartaz de campanha da AfD diz: ‘Pare a islamização’ (Foto: Reuters/Wolfgang Rattay)

Pela primeira vez desde a Segunda Guerra mundial, a Alemanha pode ter representantes de um partido de direita nacionalista com uma plataforma anti-imigração em seu Parlamento, o Bundestag.

É o que indicam as pesquisas de opinião para as eleições gerais neste domingo (24 de setembro), que sugerem que o partido Alternativa para a Alemanha (AfD na sigla em alemão) pode chegar em terceiro lugar, com até 12% dos votos e 50 cadeiras – de um total de 630.

Em uma eleição regional no ano passado, o AfD chegou a ser o segundo mais votado, empurrando o partido da chanceler Angela Merkel para o terceiro lugar.

O AfD foi fundado em 2013 como um partido contra os planos da União Europeia para resgatar a Grécia e salvar o euro, mas passou a destacar posições contrárias a entrada de imigrantes e à disseminação do islamismo no país em sua plataforma. Agora, tem deputados em 13 dos 16 Parlamentos estaduais da Alemanha.

Entenda, abaixo, o que o AfD representa e por que a sua popularidade cresceu:

Campanha contra a imigração em massa

O AfD capitalizou uma reação nacionalista à abertura do país a quase 900 mil imigrantes e refugiados em 2015.

O crescimento do número de imigrantes na Alemanha entre 2014 e 2015 se tornou o foco do partido. O AfD fortaleceu laços com o movimento anti-imigração Pegida, que organizou marchas semanais contra o que chamou de “islamização do Ocidente”.

O AfD adotou algumas das críticas do Pegida ao establishment, como por exemplo o slogan “Lügenpresse” (“imprensa mentirosa”), que tem ecos da era nazista.

O AfD é particularmente forte em partes da antiga Alemanha Oriental comunista – ainda que as maiores concentrações de imigrantes não estejam nessas áreas.

O partido defende a reintrodução de controles permanentes das fronteiras do país e o “fechamento completo” das fronteiras externas da União Europeia (UE). Esta posição contradiz o acordo de Schengen – a zona de livre circulação da UE, onde os controles nas fronteiras são geralmente mínimos.

O AfD argumenta que a Alemanha deveria criar uma nova força policial de fronteira. Frauke Petry, que se afastou da liderança do AfD no início deste ano, chegou a dizer que a polícia alemã deveria, “se necessário”, disparar contra imigrantes que tentam entrar ilegalmente no país.

O AfD pede por regras de asilo mais rigorosas, incluindo a verificação mais rigorosa de reivindicações de pessoas cujos países de origem sejam considerados “seguros”. O partido argumenta que o sistema de assistência social não pode mais lidar com os requerentes que trazem membros da família para se juntarem a eles na Alemanha.

O AfD diz que um sistema projetado para ajudar refugiados individuais está sendo explorado por migrantes não qualificados, muitos dos quais resistem à integração com os alemães.

Em maio de 2016, o AfD adotou uma política anti-islâmica explícita. O seu manifesto nas eleições (em alemão) tem uma seção dedicada a explicar por que acredita que “o Islã não pertence à Alemanha”.

O AfD propõe a proibição do financiamento estrangeiro de mesquitas na Alemanha, a burka (véu que cobre todo o corpo da mulher) e o “azan”, como é conhecido o chamado muçulmano para as orações diárias. Segundo o manifesto, o partido tem como projeto também sujeitar todos os imãs (líderes religiosos muçulmanos) a um procedimento de verificação pelo Estado.

Os muçulmanos “moderados” que aceitam a integração são “membros valorizados da sociedade”, diz o programa. Mas o partido defende que o multiculturalismo não funciona.

Cerca de 3 milhões de pessoas de origem turca vivem na Alemanha, a maioria muçulmana.

O AfD classifica como “degradante” o controverso acordo 2016 da União Europeia com a Turquia, que tinha como objetivo impedir o fluxo de imigrantes através dos Balcãs.

A apenas alguns dias para as eleições, um dos principais candidatos do AfD, Alexander Gauland, causou controvérsia ao dizer que a principal funcionária do governo para assuntos de integração, Aydan Özoguz, poderia ser “largada na Anatólia (região da Turquia)”. Özoguz é alemã de origem turca.

Gauland também foi criticado por declarar que os alemães deveriam ser “orgulhosos” de seus soldados que lutaram nas duas guerras mundiais. Enquanto a Schutzstaffel (organização militar ligada ao nazismo) ficou conhecida pelas atrocididades cometidas na Segunda Guerra Mundial, as Forças Armadas regulares também cometeram muitos crimes de guerra.

Anteriormente, outro político importante do AfD, Björn Höcke, causou indignação ao condenar o memorial do Holocausto em Berlim. Ele disse que os alemães eram “as únicas pessoas no mundo que plantaram um memorial de vergonha no coração de sua capital”.

O lançamento do AfD no início de 2013 tinha como focos desafiar os planos de recuperação econômica na zona do euro e rejeitar os argumentos da União Europeia (UE) para manter a moeda. O partido ainda promete abandonar o euro e reintroduzir o marco alemão (moeda oficial anterior do país).

O principal líder do partido, Bernd Lucke, comandou um grupo de economistas que se opuseram aos resgates à Grécia e a outros países do Sul da Europa. Eles defenderam que os contribuintes alemães não deveriam ser responsabilizados por dívidas maciças de governos irresponsáveis.

Lucke deixou o AfD em 2015, argumentando que o partido estava se tornando cada vez mais xenófobo. Foi o primeiro de vários conflitos internos do partido.

A sua política antieuro está alinhada a de outros partidos de direita na Europa, especialmente a Frente Nacional (FN), na França, o Partido da Independência do Reino Unido (UKIP); e o Partido da Liberdade da Áustria (FPOe).

O AfD defende que os poderes devem retornar aos estados-nação, opondo-se a todos os movimentos “centralizadores” na União Europeia e a qualquer coisa que se aproxime do eurofederalismo.

Se a UE não for reformada e continuar centralizando o poder, o partido diz que buscará retirar a Alemanha do bloco.

Fonte: G1

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