ONU afirma que 480 mil rohingyas fugiram de Mianmar para Bangladesh desde o fim de agosto

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Refugiada espera por atendimento em Cox's Bazar, Bangladesh (Foto: Cathal McNaughton/Reuters)Refugiada espera por atendimento em Cox's Bazar, Bangladesh (Foto: Cathal McNaughton/Reuters)

Refugiada espera por atendimento em Cox’s Bazar, Bangladesh (Foto: Cathal McNaughton/Reuters)

Quase 480 mil rohingyas fugiram de Mianmar para Bangladesh desde 25 de agosto para fugir da violência na região oeste do país, anunciou a ONU nesta terça-feira (26). O número representa 40 mil pessoas a mais que o divulgado no balanço anterior.

A diferença se deve em grande parte ao “censo adicional de 35 mil rohingyas que chegaram a dois campos de refugiados”, que não apareciam no registro precedente mas já estavam no território de Bangladesh, indicou a ONU, citada pela agência France Presse.

Também nesta terça, o grupo de direitos humanos Human Rights Watch acusou Mianmar de cometer crimes contra a humanidade. A HRW subiu o tom, e pediu que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) imponha sanções e um embargo de armas ao país.

Um porta-voz do governo de Mianmar rejeitou a acusação, dizendo que não existem provas e acrescentando que o governo está comprometido em proteger os direitos humanos, de acordo com a agência Reuters.

Refugiados da minoria muçulmana Rohingya fazem fila para obter ajuda humanitária em Cox's Bazar (Foto: Cathal McNaughton/Reuters)Refugiados da minoria muçulmana Rohingya fazem fila para obter ajuda humanitária em Cox's Bazar (Foto: Cathal McNaughton/Reuters)

Refugiados da minoria muçulmana Rohingya fazem fila para obter ajuda humanitária em Cox’s Bazar (Foto: Cathal McNaughton/Reuters)

Mianmar também repudiou acusações da ONU segundo as quais suas forças estão realizando uma “limpeza étnica” de muçulmanos rohingyas em reação a ataques coordenados de insurgentes rohingyas contra as forças de segurança em 25 de agosto.

O país afirma que está combatendo terroristas responsáveis por ataques à polícia e ao Exército e que mataram civis e incendiaram vilarejos.

A campanha militar causou a fuga de 480 mil refugiados para Bangladesh, na maioria rohingyas. Estes acusam as forças de segurança e vigilantes budistas de tentarem expulsá-los de Mianmar, nação majoritariamente budista.

“Os militares birmaneses estão expulsando os rohingyas brutalmente do Estado de Rakhine, no norte”, disse James Ross, diretor legal e de políticas do Human Rights Watch, que tem sede em Nova York.

“Os massacres de moradores de vilarejos e os incêndios criminosos em massa que expulsam as pessoas de suas casas são todos crimes contra a humanidade”.

O Tribunal Penal Internacional define como crimes contra a humanidade atos como assassinato, tortura, estupro e deportação “quando cometidos como parte de um ataque generalizado ou sistemático dirigido a qualquer população civil, com conhecimento do ataque”.

A Human Rights Watch disse que sua pesquisa, apoiada por imagens de satélite, detectou crimes de deportação e transferências forçadas de população, assassinatos e tentativas de assassinato, estupro e perseguição.

O porta-voz governamental Zaw Htay afirmou que nenhum governo de Mianmar se comprometeu mais com a promoção dos direitos humanos quanto o atual.

“Acusações sem qualquer prova contundente são perigosas”, disse ele à Reuters. “Isso torna difícil para o governo lidar com as coisas”.

Crianças da minoria muçulmana rohingya que deixaram Mianmar rumo a Bangladesh (Foto: Dar Yasin/AP Photo)Crianças da minoria muçulmana rohingya que deixaram Mianmar rumo a Bangladesh (Foto: Dar Yasin/AP Photo)

Crianças da minoria muçulmana rohingya que deixaram Mianmar rumo a Bangladesh (Foto: Dar Yasin/AP Photo)

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, pelo menos 1.600 crianças não acompanhadas estão entre os refugiados em Bangladesh. Ainda segundo o Unicef, cerca de 60% da população de rohingyas refugiados que chegou a Bangladesh é menor de idade.

“Estamos muito preocupados com sua proteção. Porque mesmo que todos as crianças refugiadas tenham sofrido um grande trauma, estas sofreram mais, porque em muitos casos foram testemunhas da morte de seus pais e tiveram que fugir sozinhas. Mas, além disso, não têm nenhum adulto que as proteja”, afirmou em coletiva de imprensa Christoph Boulierac, porta-voz do Unicef, citado pela agência Efe.

O porta-voz disse que um dos principais riscos para estas crianças são os casamentos precoces, “dado que estão em um contexto propenso aos adultos se aproveitarem de sua fragilidade”.

Boulierac explicou, além disso, que os casamentos precoces “ocorrem nessa sociedade com assiduidade”.

Outro desafio é evitar que essas crianças sejam usadas “e acabem trabalhando 20 horas por dia e essa atividade se transforme em trabalho infantil ou inclusive em abuso sexual”, alertou.

Fonte: G1

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