Oposição no Haiti mostra receio com nova missão da ONU após problemas com Minustah

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Uma nova missão com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) para auxiliar o sistema de justiça do Haiti causou reações mistas entre políticos locais e grupos da sociedade civil devido a críticas já antigas à missão antecessora.

A missão da ONU criada para restaurar a estabilidade no país na esteira de um golpe de Estado em 2004 terminou em outubro após 13 anos. Conhecida como Minustah, a missão, que teve participação do Brasil, foi assolada por polêmicas, como a introdução do cólera na ilha e alegações de abuso sexual.

A nova missão, a Missão das Nações Unidas de Apoio à Justiça no Haiti (Minujusth), iniciada oficialmente na semana passada, tem um mandato renovável de seis meses que termina em 15 de abril de 2018, contará com 1.275 policiais da ONU e treinará a Polícia Nacional do Haiti. A Minujusth, se concentrará especificamente no sistema de justiça e na polícia.

Mamadou Diallo, vice-representante especial do secretário-geral da ONU no Haiti e diretor interino da nova missão, disse que seu propósito é aprofundar o trabalho da Minustah de forma a intensificar a segurança e fortalecer a democracia e as instituições da nação.

Isso permitirá que um “contrato social” entre os governantes e o povo do Haiti seja estabelecido, disse Diallo.

Mas a Minujusth já se tornou alvo de críticas. “O país não deveria esperar nada de positivo desta nova missão, que é só uma tática para continuar a ocupação que o povo haitiano rejeitou”, opinou o ex-candidato presidencial Eric Jean-Baptiste.

O coronel aposentado do Exército Himmler Rebu, ex-ministro de gabinete e também ex-postulante à Presidência, usou palavras igualmente duras.

“A missão de estabilização da ONU esteve aqui durante 13 anos e eles não fizeram nada, exceto evitar que bandidos armados tomassem o palácio presidencial”, afirmou Rebu.

Já o governo do presidente haitiano, Jovenel Moise, saudou o envio da Minujusth em meio ao ceticismo da oposição.

Lucien Jura, porta-voz de Moise, disse que o presidente espera que a Minujusth ajude a corrigir falhas do judiciário, e várias organizações da sociedade civil expressaram a esperança de que consiga fazer a diferença.

Mas muito dependerá dos líderes haitianos, disseram.

Fonte: G1

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