Polícia prende um suspeito da chacina de adolescentes retirados do centro Mártir Francisca

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A Polícia Civil prendeu um homem de 18 anos suspeito de assassinar quatro adolescentes retirados à força do centro socioeducativo Mártir Francisca e mortos na rua, no Bairro Sapiranga, em Fortaleza. Pelo menos outras quatro pessoas são procuradas por participação direta nos assassinatos, e a polícia trabalha com a hipótese de haver mais envolvidos. Foram encontradas armas e uma máscara usada pelos bandidos que invadiram o centro.

Entre 10 e 15 homens armados com metralhadoras invadiram o centro Mártir Francisca durante a madrugada, retirou seis jovens e matou quatro deles. Dois foram soltos pelos criminosos e não foram localizados. Os corpos foram encontrados na Rua Firmino Ananias, nas proximidades do centro. O juiz da 5ª Vara da Infância e Adolescência, Manoel Clístenes, disse que internos e familiares haviam relatado ameaças de invasão por criminosos do bairro. O Governo do Estado foi alertado sobre essas ameaças, segundo Clístenes.

De acordo com o delegado Leonardo Barreto, o homem preso confessou que participou do crime, mas disse que não atirou nas vítimas, só estava presente no momento. O homem afirmou que o alvo eram realmente os jovens que foram mortos pois pertenciam a uma facção rival a que atua no Bairro Sapiranga. O suspeito foi autuado em flagrante por homicídio duplamente qualificado, posse ilegal de arma de fogo de uso restrito e participação em organização criminosa.

“Temos 30 dias para nos aprofundar nas investigações e concluir o inquérito. Conseguimos essa prisão em menos de 24 horas. Nossa equipe de inteligência está em campo e acredito que vamos conseguir apresentar outras prisões de envolvidos”, disse o delegado geral da Polícia Civil, Everardo Lima.

Na casa do preso foram encontradas uma arma de uso restrito, munição, drogas, carregadores, celulares e uma máscara. “Testemunhas contaram que os autores usavam máscaras. Um deles, inclusive, usava uma máscara de caveira”, informou o delegado Barreto.

O G1 conversou com parentes dos meninos na tarde desta terça-feira (13) na entrada do IML enquanto eles esperavam para fazer o reconhecimento dos corpos. O pai de um deles afirmou que o filho não pertencia a facções criminosas. ”Meu filho não fazia parte de facção nenhuma”, disse. “Meu filho não estava em festa, nem em bar, a mãe dele entregou ele à mão da Justiça. Então, eu quero Justiça, eu sou um cidadão”, afirmou.

Uma outra vítima tinha apenas 13 anos e estavava na unidade há um mês, também segundo o pai. O adolescente morava em um bairro da zona oeste da capital. Ele tinha uma tatuagem nos dedos que fazia referência a uma facção criminosa, mas o pai disse não saber porque o menino desenhou os números. Foi “levado para essas coisas pelos amigos”, disse.

O centro de semiliberdade ficará fechado por 30 dias por decisão da Justiça até que seja aprovado um plano que garanta a segurança dos internos. Em reunião nesta terça com a vice-governadoria, representantes de entidades de defesa de crianças e adolescentes, Ministério Público e 5ª Vara da Infância e Juventude foi acordado com os órgãos do Sistema de Justiça que os adolescentes ficariam em convívio familiar esta semana, segundo nota da Superintendência do Sistema Estadual de Atendimento Socioeducativo (Seas), que é reponsável pelo centro.

Fonte: G1

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