Professor indígena de RO vence prêmio nacional com projeto sobre plantas medicinais

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O professor indígena Alexandre Suruí venceu a etapa nacional do prêmio “Respostas para o Amanhã”. O professor, que trabalha na Escola Indígena Estadual Sertanista José do Carmo Santana, da aldeia Gapgir, desenvolveu o projeto “Plantas Medicinais do Povo Paiter: Resgatando os Conhecimentos Tradicionais“, junto aos alunos do 2º ano do ensino médio de Cacoal (RO). A cerimônia de premiação ocorreu em São Paulo nesta semana.

Foram selecionados 25 vencedores regionais para a final. Desse número total, cinco poderiam ser escolhidos através de júri popular, onde a população escolheu através do voto via internet, e cinco escolhidos por uma comissão julgadora, que seriam os vencedores nacionais.

Foi nessa segunda categoria que Alexandre foiu eleito. Para ele, o prêmio foi uma motivação maior para dar continuidade aos trabalhos de pesquisa.

“É um momento de muita alegria anunciar minha vitória. Esse prêmio me motiva a trabalhar mais sério com os meus sabedores que são experientes com as plantas medicinais, e resgatar o conhecimento tradicional”, disse Alexandre.

O professor também aproveitou para agradecer aos alunos que contribuíram com carinho para a execução do projeto e aos sabedores que compartilharam o conhecimento, fundamental para a pesquisa.

“Esse projeto envolveu os alunos de forma direta. Com essa pesquisa eles tiveram conhecimento sobre as plantas medicinais que não conheciam. Esse projeto trará benefícios ao povo Suruí, pois por meio dele as pessoas poderão utilizar esse material pedagógico para trabalhar nas escolas. ”, agradeceu o professor.

Com a vitória do projeto, Alexandre e a diretora da Escola Indígena Estadual Sertanista José do Carmo Santana foram contemplados com um notebook para cada um, e todos os alunos participantes do projeto ganharam um tablet.

O projeto “Plantas Medicinais do Povo Paiter: Resgatando os Conhecimentos Tradicionais” foi iniciado em 2013, quando o professor estava fazendo o trabalho de conclusão do curso de Biologia.

Ao fazer a pesquisa sobre o tema, percebeu-se que muitas plantas medicinais utilizadas pelo povo indígena antes do contato com o branco estavam sendo trocadas por remédios de farmácia.

Com isso, o professor levou o projeto para dentro de sala de aula e sugeriu aos alunos que pesquisassem junto aos familiares as plantas medicinais que ainda eram utilizadas. Em seguida convidou um sabedor que levou os alunos para a floresta, onde pesquisaram as plantas que estavam no entorno e que podiam ser usadas como uso medicinal.

Além disso, os próprios sabedores prepararam os remédios que foram testados em pessoas doentes da própria aldeia, confirmando assim a eficácia.

Em sala de aula, os alunos retrataram a experiência vivida, reproduzindo através de desenhos os ensinamentos que mais chamaram a atenção, além de escreverem na língua materna o nome da planta ilustrada e para qual doença a mesma pode ser utilizada.

A conclusão do projeto será a elaboração de um livro, juntando todos os desenhos feitos pelos alunos.

Fonte: G1 / RO

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