‘Rainbow’, de Kesha, é disco com pop cru ‘soltinho’ e emotivo; G1 ouviu | Música

0

Cantora americana sofreu com depressão, assédio e outros problemas nos últimos cinco anos. Disco vai das baladas piano/violão com vocais floreados aos rocks de garagem.

Kesha lança seu terceiro disco, 'Rainbow' (Foto: Divulgação)

Kesha lança seu terceiro disco, ‘Rainbow’ (Foto: Divulgação)

O clima para Kesha escrever e gravar as 14 músicas de “Rainbow”, lançado nesta sexta-feira, foi péssimo. Terrível mesmo. Nos cinco anos entre seu segundo disco, de 2012, e este terceiro, a cantora americana de 30 anos:

  • Entrou com uma ação contra o produtor Dr. Luke
  • Alegou ter sofrido “abusos sexuais, físicos, verbais e emocionais”
  • Passou meses sem sair de sua cama, com depressão
  • Foi para uma clínica de reabilitação, para mudar seu estilo de vida
  • Não conseguiu ser liberada do contrato com Luke, que nega tudo
  • Retirou a ação e lançou este disco, após uma “aprovação” de Luke

Com o desprendimento de quem parece não ter mais nada a perder, Kesha fez o melhor disco de sua carreira. E o negócio aqui é pop cru, sincerão, sem estilo definido: das baladas ao piano com vocais floreados aos rocks de garagem no estilo Blondie depois do quinto drinque. Tem vez que é exagerado, marca registrada dela, mas ela legitima cada berro, risadinha e desabafo.

Começa com contagem e vocal suaves (“1, 2, 3, 4, 1”). O arranjo voz/violão e a sequência de acordes são simples. A letra é direta, cheia de palavrões: “Todos esses filhos da puta foram maus comigo por muito tempo / E eu estou cansada de chorar, sim / Eu poderia lutar para sempre, mas a vida é curta / Não deixe esses bartados te botarem para baixo”. “Ficou bom? Vamos gravar de novo?”, pergunta no fim.

É a primeira das duas com o grupo americano Eagles of Death Metal. É um bom rockzinho de garagem com vocal revolts. A letra tem a mesma temática de “Deixa Isso Pra Lá”, do Jair Rodrigues. Mas musicalmente… Ai que saudade da Avril Lavigne.

O hino consumista-feminista-faço o que eu quero-ista é uma das melhores e mais soltinhas. O personagem bagaceiro do 1º disco (que escova os dentes com uísque no hit “Tik Tok”) agora dança ao som dos intrumentos de sopro da banda de funk/soul Dap-Kings. Lá pelo meio, o som abaixa, Kesha dá uma risada. É fácil rir junto. Ai que saudade da Duffy.

O pop genérico fica entre Imagine Dragons (um mashup com “Thunder” ficaria ótimo) e qualquer música com algo R&B na fórmula. Cativa bem de leve, mas para se criar um hinozinho de FM não precisava repetir a palavra “hino” tantas vezes na letra.

Foi a primeira lançada, no começo de julho. “Eu tenho canalizado meus sentimentos de desesperança e depressão, tenho superado obstáculos e encontrado força em mim mesma, mesmo quando me sinto perdida”, disse sobre a letra. É balada com piano, voz e sofrimento. “Eu tive que aprender a lutar por mim mesma / Nós dois sabemos as verdades que posso contar”, canta.

É uma das poucas que poderiam estar, sem alterações, nos primeiros discos. Sintetizadores, vocais autotunados e batuques acompanham uma letra sobre… Adivinha? “Exorcizar os demônios”, “estar presa no passado”, “ir ao inferno” e “jogar merda no ventilador”.

Dedilhados nervosos e vocal, hmmm, elegante com falsetes bem domados estão nesta canção sobre amor. Bom para variar um pouco. Kesha fala até de um “final feliz”. Ufa.

Mostra que o disco faz sentido como uma história de sofrimento e redenção. O clima menos pesado segue nesta balada que poderia estar no repertório de uma Lily Allen da vida. A letra vai do cantado ao falado em questão de segundos. Entra facilmente no top 3 do disco. Ai que saudade da Kate Nash de 2007.

Ah, Nashville. Ir pelo tradicional ritmo honky-tonk da cidade americana é uma chance de Kesha lembrar das origens da mãe, a compositora Pebe Sebert. A música é fofa, mas anódina. Ai que saudade daquele episódio de “Master of None”.

Capa do disco 'Rainbow', de Kesha (Foto: Divulgação)Capa do disco 'Rainbow', de Kesha (Foto: Divulgação)

Capa do disco ‘Rainbow’, de Kesha (Foto: Divulgação)

Mais uma com o Eagles of Death Metal. Menos garageira do que a outra, desta vez Kesha faz uma coisa meio Joan Jett imitando líder de torcida de futebol americano em uma banda tipo Ting Tings.

Só Lady Gaga é a Lady Gaga, mas não custa tentar. Kesha até que vai bem. Ai que saudade de “Poker Face”.

A convidada da vez é a lenda americana do country Dolly Parton, de 71 anos. É para emocionar. Os que gostam de country. Mais uma vez Kesha canta suas origens e a de sua família.

A letra é surreal, bem sacada, irônica. É como uma vinhetinha de quase despedida: poderia estar em um disco para crianças ou ganhar um clipe de animação. “O que você vai ganhar ao levar o Godzilla para conhecer sua mãe? Ele toca a campanhia e ela olha pela janela, e chama a polícia / Eu tento explicar que ele até que é fácil de domar / Desde que tenha pizza e vídeo games”. Ai que saudade do seriado “Flight of The Conchords”.

Mas uma baladinha com filtro “vintage”. “Estou esperando que uma espaçonave volte para me buscar”, canta ela. Ai que saudade do meme diferentona.

Fonte: G1

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here