Transgênero faz história ao disputar vaga em Assembleia da Virgínia

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Danica Roem em seu ecrtiório de campanha (Foto: PAUL J. RICHARDS / AFP)Danica Roem em seu ecrtiório de campanha (Foto: PAUL J. RICHARDS / AFP)

Danica Roem em seu ecrtiório de campanha (Foto: PAUL J. RICHARDS / AFP)

“Olhe dentro do meu sapato”, responde Danica Roem quando perguntada sobre quantos eleitores abordou na corrida para conquistar um assento na Assembleia legislativa da Virgínia.

A candidata democrata não tem tempo para sutilezas enquanto luta para se tornar a primeira pessoa abertamente transgênero eleita para um cargo neste estado republicano.

Cuspindo na lixeira durante uma entrevista à revista Cosmopolitan, ou descalçando a sua sapatilha para mostrar a palmilha desgastada para a AFP, essa jovem não hesita em mostrar as suas raízes da classe trabalhadora.

“Sou de Manassas”, diz entre risos, já que a pequena cidade no condado de Prince William, ao norte da Virgínia, não conta com nenhum charme em particular.

Danica nasceu lá há 33 anos, mas foi registrada como Dan. “Estou concorrendo para representar o lugar onde passei toda a minha vida”, conta. “Nasci aqui, cresci aqui, trabalhei aqui”.

A ex-jornalista enfatizou que não está entrando na política para ser um símbolo LGBT em um governo em que, recentemente, o presidente Donad Trump baniu os transgêneros dos serviços militares.

Ao contrário, pretende lidar com questões municipais usando o conhecimento que acumulou durante quase uma década cobrindo notícias locais para o jornal “Gainesville Times”.

Durante esse período, Danica entrevistou repetidas vezes o delegado republicano de longa data Bob Marshall – que se tornou seu oponente depois de vencer a nomeação dos democratas para o 13º distrito.

O candidato que vencer as eleições de 7 de novembro ocupará por dois anos o cargo na Assembleia estadual, em Richmond.

Marshall ocupa este posto há 26 anos, tendo sido reeleito por 13 vezes. O republicano de 73 anos, opositor ao casamento gay, se recusa a usar o pronome “ela” quando se refere a Roem. Também se nega a debater a adversária.

O conservador defendeu os esforços do estado para aprovar um “projeto de lei dos banheiros”, que busca regular os banheiros que os transgêneros podem usar em edifícios do governo.

“As prioridades legislativas do delegado Marshall estiveram mais focadas em que banheiro eu posso usar como uma mulher transgênero do que como os seus eleitores vão ao trabalho”, declarou Roem sobre seu oponente. “Este é um enorme problema para as pessoas que vivem aqui”.

Roem se orgulha de identificar o problema mais importante de seus potenciais eleitores: a Rota 28, principal rodovia local. Mais de dois terços dos moradores precisam deixar o condado todos os dias. “Isso significa que você tem engarrafamentos eternos”, comenta.

Entusiasta da “hot yoga” e vocalista de uma banda de heavy metal, Roem tem um slogan de campanha simples: “Melhorem a Rota 28 já”. “Se formos capazes de retirar mais sinais de trânsito, então teremos um fluxo mais livre”, explica.

Tendo viajado pela Europa para ir a festivais de rock, Roem se impressionou com o planejamento das cidades do Velho Continente, e espera promover um sistema de transporte similar em sua própria cidade.

Em seu escritório de campanha há uma foto sua tocando uma guitarra Dean Warbird ML-X, e ela explica que toca uma “combinação de ‘trash metal’ e ‘death metal’ melódico”. “Sou a vocalista”, diz. “Não gosto de dizer cantora, porque cantora é para pessoas que cantam bem”. “Tenho um microfone e grito nele”, conta.

Apesar de sua insistência em dizer que “não está concorrendo para ser uma candidata simbólica”, sua voz ultrapassou os limites do estado da Virgínia e sua campanha ganhou atenção nacional.

Mais de 6.500 pessoas fizeram doações espontâneas em apoio a seus esforços políticos.

O presidente do “Gay and Lesbian Victory Fund”, organização dedicada a aumentar a visibilidade das pessoas LGBT na política, doou 115.000 dólares para ela.

O dinheiro, sempre um fator crucial nas campanhas políticas americanas, permitiu que Roem contratasse uma equipe de 11 pessoas que fez pesquisas no distrito, ligações e distribuiu panfletos.

‘singularmente qualificada’

Algumas pessoas disseram a membros de sua equipe ou voluntários de campanha que não vão votar em Roem por conta de sua identidade de gênero.

Mas, “nem uma única pessoa me disse pessoalmente que não votará em mim porque sou transgênero, nenhuma”, afirma a candidata.

Seus sapatos estão calçados e seu oponente é experiente, mas Roem está confiante de que sua persistência terá sucesso.

“Ele com certeza tem sua base”, afirma sobre Marshall. “E, ao mesmo tempo, nunca concorreu contra uma candidata como eu”. “Sou singularmente qualificada para derrotá-lo”, resume.

Fonte: G1

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