Vereador e ex-prefeito são indiciados por corrupção em Vilhena, RO 

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Grupo é suspeito de participação em esquema de propina, envolvendo outro loteamento do município. Lotes dados como propina custaram R$ 378 mil.

Ex-prefeito de Vilhena é indiciado por receber dinheiro de propina

O vereador Antônio Marco de Albuquerque (PHS), conhecido como “Marcos Cabeludo”, e o ex-prefeito de Vilhena (RO), José Luiz Rover (PP), foram indiciados por corrupção nesta semana em Vilhena (RO), a 700 quilômetros de Porto Velho. Eles fazem parte de um grupo, com mais de 10 pessoas, suspeitos de participarem de um esquema de propina envolvendo outro loteamento do município.

A ação desta semana é um desdobramento da Operação Habitus, deflagrada no mês passado pela Polícia Civil do município. De acordo com o delegado regional, Fábio Campos, até agora, foram indiciados mais de 10 pessoas.

“São crimes de falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. Lavagem de dinheiro e corrupção são os dois crimes padrões para quase todos os indiciamentos”, explicou.

Marcos Cabeludo, de Vilhena, também foi indiciado (Foto: Marcos Cabeludo/Facebook)Marcos Cabeludo, de Vilhena, também foi indiciado (Foto: Marcos Cabeludo/Facebook)

Marcos Cabeludo, de Vilhena, também foi indiciado (Foto: Marcos Cabeludo/Facebook)

Segundo Campos, este é um novo caso, que envolve um loteamento diferente dos investigados anteriormente pela Polícia Federal e Ministério Público de Rondônia. Contudo, assim como aconteceu nos outros processos, os lotes também eram utilizados como propina.

“Isso se deu em razão da liberação de 20 lotes, que foram dados em propina, para aprovação desse loteamento perante prefeitura e Câmara de Vereadores, no ano de 2014. Temos vários elementos fortes de autoria e materialidade apuradas no inquérito policial”, enfatiza o delegado regional.

Conforme a investigação, o valor dos 20 lotes, em 2014, era de R$ 378 mil. A propina era paga em lotes e colocada em nome de laranjas. “A propina era para várias finalidades; alguns para benefício próprio, outros para pagar dinheiro de campanha, e para outras coisas que estão sendo apuradas”, ressalta Campos.

Neste desdobramento, além de Marcos Cabeludo e José Rover, também foi indiciado o ex-chefe de gabinete da prefeitura, Bruno Pietrobon.

Conforme o delegado, no momento, os indiciados não devem ser presos, pois a maioria não ocupa mais cargos públicos e dessa forma, não podem prejudicar as investigações.

José Luiz Rover foi indiciado por corrupção (Foto: Eliete Marques/G1)José Luiz Rover foi indiciado por corrupção (Foto: Eliete Marques/G1)

José Luiz Rover foi indiciado por corrupção (Foto: Eliete Marques/G1)

Na primeira fase da Operação Habitus, foram indiciados o vereador Célio Batista (PR); os ex-parlamentares Jaldemiro Dedé Moreira (PP), conhecido por “Jairo Peixoto” e Vanderlei Graebin (PSC). A esposa de Graebin, Cristina Rey, também foi indiciada, assim como o ex-secretário de governo, Gustavo Valmórbida.

Neste novo processo, a Polícia Civil pediu monitoramento eletrônico e afastamento dos órgãos públicos municipais para os vereadores Célio Batista e Marcos Cabeludo. O Judiciário autorizou a solicitação.

Dessa forma, Célio não está participando mais das sessões, assim como Marcos Cabeludo, que está sendo investigado em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), por causa de acusações de corrupção e lavagem de dinheiro, em um caso envolvendo outro loteamento da cidade.

Embora não estejam comparecendo às sessões, os parlamentares recebem remuneração de R$ 8 mil.

A advogada Aisla Carvalho, que defende Célio e Jaldemiro, informou que seus clientes negam participação no esquema. “O Jaldemiro já apresentou provas que adquiriu o lote de forma lícita e quanto ao Célio, não há provas que o relacione com qualquer acusação”, enfatizou.

O G1 telefonou para os advogados dos outros suspeitos, mas as ligações não foram atendidas.

Entre outubro e novembro de 2016, sete vereadores de Vilhena foram presos pela Polícia Federal (PF): Carmozino Alves Moreira (PSDC), José Garcia da Silva (DEM), Junior Donadon (PSD), Marcos Cabeludo, Jaldemiro Dedé Moreira (PP), Maria Marta José Moreira (PSC) e Vanderlei Graebin.

Investigação ocorreram no ano passado, quando Rover ainda era prefeito (Foto: Eliete Marques/G1)Investigação ocorreram no ano passado, quando Rover ainda era prefeito (Foto: Eliete Marques/G1)

Investigação ocorreram no ano passado, quando Rover ainda era prefeito (Foto: Eliete Marques/G1)

As investigações apontam que os parlamentares participavam de um esquema de aprovação de loteamentos na cidade, mediante recompensa. Para os loteamentos serem aprovados, eles recebiam terrenos e quantias em dinheiro.

Em fevereiro deste ano, José Garcia deixou a prisão e teve a prisão preventiva substituída pela domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, em virtude de um quadro depressivo.

Em março, foi a vez de Carmozino, Vanderlei, Júnior Donadon, Antônio Marco, Jaldemiro e Marta deixarem a cadeia. A Justiça substituiu a prisão preventiva deles por outras medidas cautelares, entre elas, o uso da tornozeleira. Os acusados aguardam sentença.

Fonte: G1

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