Presidente da República, Jair Bolsonaro durante reunião com o Ministro da Economia, Paulo Guedes.

(Foto: Isac Nóbrega/PR)

SÃO PAULO – Diante do aumento da pressão pela prorrogação do auxílio emergencial e novas medidas de enfrentamento à piora do quadro da pandemia de Covid-19 no país, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou a investidores, nesta terça-feira (26), que o governo seguirá atento ao cumprimento do teto de gastos e prometeu a continuidade da agenda de reformas econômicas.

“No âmbito fiscal, manteremos firme compromisso com a regra do teto [de gastos]“, afirmou na abertura do evento “Latin America Investment Conference 2021”, promovido de forma virtual pelo Credit Suisse.

A regra fiscal, instituída em 2016, impede que as despesas do governo em um ano cresçam acima da inflação de 12 meses acumulada até junho do ano anterior. Com o comportamento da inflação nos últimos meses, a avaliação de economistas é que o cumprimento da medida será especialmente desafiador em 2021 e a situação da crise sanitária torna o ambiente ainda mais complexo.

“Não vamos deixar que medidas temporárias se tornem compromissos permanentes”, reforçou Bolsonaro aos investidores. O presidente também se comprometeu com o avanço na tramitação das reformas fiscal, tributária e administrativa. Além de novas rodadas de leilões, concessões e privatizações, “com estratégias de longo prazo, baixo risco e taxas atraentes e estáveis”.

“Apesar da Covid, mantemos compromisso com empreendedores, investidores e empregados”, disse. “Estamos no caminho de um crescimento projetado para 2021 de 3,5%”, pontuou.

Imunização privada

Outro aceno feito pelo mandatário aos empresários veio com a autorização para negociação direta entre o setor privado e as farmacêuticas para a aquisição de vacinas. O acordo prevê que metade das doses adquiridas sejam doadas ao Sistema Único de Saúde para o Programa Nacional de Imunização e o restante possa ser usado livremente pelas companhias para a imunização de seus colaboradores.

“Assinamos carta de intenção para que 33 milhões de doses de Oxford viessem a custo zero para o governo. E metade entraria para o SUS, seguindo aqueles critérios. E outros 16,5 milhões fossem para elas”, disse Bolsonaro na teleconferência.

“O governo federal é favorável para esse grupo de empresários trazer as vacinas a custo zero”, reforçou, ao lado dos ministros Paulo Guedes (Economia) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores).

A medida é considerada polêmica e foi classificada por críticos como uma espécie de “fura fila” no plano nacional, o que poderia implicar em privilégios aos mais ricos em detrimento aos mais pobres.

O ministro Paulo Guedes defendeu a iniciativa, argumentando ser uma contribuição das companhias com o plano de vacinação e um investimento na volta segura ao trabalho. Na avaliação do chefe da equipe econômica, o setor privado vai acelerar o processo de vacinação em massa – que ontem (25) ele disse ser “fator crítico de sucesso para o bom desempenho da economia”.

“Quando os empresários estão querendo buscar a vacina, as pessoas vão dizer ‘quem tem dinheiro que vai se vacinar’. Por isso, o presidente disse que para cada um vacinado, tem que entregar uma vacina para o SUS. Isso é uma volta segura ao trabalho. Não é furar fila. 16 milhões para um lado, 16 milhões para o outro”, disse.

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Conteúdo retirado do site: InfoMoney