A balança comercial brasileira deverá registrar em 2021, apesar da pandemia do coronavírus, um superávit de US$ 70 bilhões, estimou o Banco Central nesta quinta-feira (25).

O superávit é registrado quando as exportações superam as importações. Quando ocorre o contrário, é registrado déficit comercial.

Para 2021, o BC projeta que as exportações somarão US$ 256 bilhões, com alta em relação ao ano passado (US$ 221 bilhões), e que as compras do exterior totalizarão US$ 186 bilhões (contra US$ 168 bilhões em 2020).

Se confirmado, o saldo positivo representará melhora em relação ao ano passado, quando somou US$ 50,995 bilhões, e representará novo recorde histórico. Até então, o maior superávit foi registrado em 2017 (cerca de US$ 67 bilhões).

SALDO DA BALANÇA COMERCIAL

Em US$ bilhões

Fonte: Ministério da Economia

De acordo com o BC, apesar do ano ter começado em “nível deprimido”, espera-se que as exportações aumentem a partir de março devido ao escoamento da boa safra de soja, o patamar elevado para preços de “commodities” (produtos básicos com cotação internacional, como alimentos, petróleo e minério de ferro) e pela recuperação da demanda internacional.

“A revisão está em linha com perspectiva mais favorável para a indústria de transformação nacional, com efeitos sobre a importação de bens intermediários. Contribuem também os bons resultados nos meses iniciais do ano, o aumento nos preços dos combustíveis e a ocorrência de operações do Repetro no início do ano em valor acima do esperado”, acrescentou o BC.

O Repetro é um regime aduaneiro que suspende a cobrança de tributos federais na importação de equipamentos para o setor de petróleo e gás.

Ainda, segundo a instituição, as importações também devem ser maiores que o anteriormente projetado, apesar da alta do dólar (que as encarece).

Com o bom desempenho da balança comercial esperado para este ano, a previsão do Banco Central é a de que as contas externas terão um superávit de US$ 2 bilhões em 2021.

No ano passado, foi registrado um déficit de US$ 12,457 bilhões nas contas externas. Se confirmada a previsão para 2021, será o primeiro saldo positivo desde 2007 (+US$ 408 milhões).

O resultado de transações correntes, um dos principais do setor externo do país, é formado pela balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), pelos serviços (adquiridos por brasileiros no exterior) e pelas rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior).

O BC informou ainda que manteve em US$ 60 bilhões sua estimativa para o ingresso de investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira neste ano, contra a entrada de US$ 34,167 bilhões no ano passado, o menor ingresso em 11 anos.

“As surpresas positivas nas entradas de empréstimos intercompanhia no início do ano compensam a perspectiva de recuperação mais lenta da conta de participação de capital. Pesam sobre esse último componente a persistência dos efeitos econômicos da pandemia e o câmbio menos valorizado, que reduz o valor em dólar dos lucros reinvestidos”, informou o BC.

VÍDEOS: Economia no Brasil e no mundo

Conteúdo retirado do site: G1 da Globo