O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou nesta sexta-feira (29) que os Estados Unidos são a “superpotência da liberdade” e falou em trabalhar em parceria com o novo presidente americano, Joe Biden, para preservar a democracia.

Araújo e o presidente Jair Bolsonaro foram entusiastas da candidatura à reeleição do republicano Donald Trump, derrotado pelo democrata Biden na eleição norte-americana. O presidente brasileiro chegou a anunciar apoio a Trump e foi um dos últimos chefes de Estado a cumprimentar Biden pela vitória.

Ernesto Araújo deu a declaração ao participar de um painel do Fórum Econômico Mundial nesta sexta-feira. Ele destacou que qualquer mudança na administração dos Estados Unidos como a eleição do presidente democrata, é importante para o Brasil e para o mundo e defendeu a manutenção da “parceria” com os americanos.

“Basicamente, eu acho que nós precisamos que os Estados Unidos se mantenham como a superpotência da liberdade. Nós precisamos que os Estados Unidos continuem exercendo esse papel, que eles já vêm desempenhando há cem anos ou mais ao redor do mundo”. disse

As consequências pro Brasil do alinhamento com Trump após a chegada de Biden à presidência dos EUA

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Segundo Araújo, as parcerias precisam ser mantidas, “não só com os Estados Unidos, mas também com os países dos meus amigos aqui representados, Canadá, Espanha e União Européia”.

“Nós precisamos desses parceiros-chave para reconstruir o Brasil como uma economia moderna e uma força democrática na região e no mundo. Com os Estados Unidos, particularmente, é uma relação-chave para toda a democracia no hemisfério ocidental”, acrescentou.

Ernesto Araújo afirmou que pretende construir a relação com os EUA com foco no “conceito fundamental da liberdade” e não no das “mudanças climáticas”.

O chanceler brasileiro disse ainda haver grandes desafios para democracia atualmente e citou supostas ligações do crime organizado com certas correntes políticas, sem esclarecer quais. Ele defendeu a união de Brasil, Estados Unidos e todos os países democráticos contra o problema.

“É assim que eu vejo essa nova conexão que nós queremos construir com os Estados Unidos sob a administração de Biden. Mas como eu disse, queremos isso com todos os parceiros, preservar a eficiência econômica, desenvolvimento sustentável”, disse.

Outra ameaça, segundo o ministro, é o surgimento de um suposto “tecnototalitarismo”, que seria uma forma de “controle totalitário” por meio de sociedades fundadas em novas tecnologias.

“Acho que ao redor do mundo também vemos desafios para a democracia. Neste caso, o que vemos como desafio é o surgimento de algum tipo de — talvez seja demais dizer assim, mas vou usar a expressão — “tecnototalitarismo”, afirmou.

“Não é uma questão dos Estados Unidos contra a China, ou China contra os Estados Unidos, mas sim o surgimento de novos modelos de sociedade com novas tecnologias, e novas tecnologias podem ser ótimas para a democracia, mas também podem fornecer meios para o total controle das sociedades, e não queremos isso”, explicou.

Segundo ele, quando a China se tornou “ator” na globalização, esperava-se uma “ocidentalização” do país. Na interpretação do ministro, ocorreu foi o inverso. A ideia era que a China se tornaria mais como o Ocidente, ocidental, mas isso não aconteceu, claro. Mas, em certo ponto, o que começou a acontecer é que o Ocidente começou a se tornar mais e mais como a China”, disse.

“Eu acho que não devemos olhar para nenhum desses futuros, quero dizer, ninguém quer mudar a China mais. Mas nós também não devemos mudar nosso modelo de sociedade e nossas economias em certos casos que têm acontecido recentemente”, declarou.

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Conteúdo retirado do site: G1 da Globo