Especulações sobre um voto de desconfiança contra May continuam | Mundo

Enquanto a primeira-ministra britânica, Theresa May, luta para conseguir o apoio para um acordo preliminar sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, as especulações sobre um possível voto de desconfiança contra ela dentro do seu próprio partido continuam.

O jornal “Daily Telegraph” afirmou nesta sexta-feira (16) que parlamentares de seu partido, o Conservador, devem conseguir as 48 cartas necessárias para desencadear uma votação contra a sua liderança.

Citando fontes que defendem o Brexit, o correspondente chefe de política do periódico, Christopher Hope, afirmou que ela pode ter de enfrentar votação já na terça-feira (20).

Caso isso aconteça e a maioria dos seus colegas de partido votem contra ela, May perde a liderança do Partido Conservador e tem que deixar o cargo de primeira-ministra.

ANÁLISE: Por que a premiê britânica está na corda bamba?

O Partido Conservador está totalmente rachado em relação ao futuro do esboço do acordo preliminar sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, que May já defendeu no Parlamento.

Na quinta-feira, May enfrentou o pedido de demissão de quatro de seus ministros, entre eles, o responsável pelas negociações sobre o Brexit com a União Europeia, Dominic Raab, por discordarem dos termos do acordo.

Dominic Raab deixa Downing Street, em Londres, em imagem de 14 de novembro — Foto: Ben Stansall / AFPDominic Raab deixa Downing Street, em Londres, em imagem de 14 de novembro — Foto: Ben Stansall / AFP

Dominic Raab deixa Downing Street, em Londres, em imagem de 14 de novembro — Foto: Ben Stansall / AFP

A premiê britânica precisa encontrar um nome que tenha o peso e o nível de influência necessários para seguir adiante com as negociações com o bloco europeu, nos termos exigidos por ela, até a data oficial para o Brexit, em 29 de março de 2019.

O atual ministro da agricultura e uma das figuras mais influentes da política britânica, Michael Gove, rejeitou o convite de Theresa May para o cargo.

O acordo finalmente esclareceu que o Reino Unido pretende manter os direitos dos cidadãos europeus que já vivem no país e tem a intenção de criar uma nova relação comercial bilateral com a União Europeia que derrubasse cotas e tarifas. Essas duas propostas, para os defensores do Brexit, parecem na realidade perpetuar as condições que o Reino Unido já tem por ser membro do bloco europeu.

O principal ponto de polêmica é a situação da Irlanda do Norte. Na tentativa de evitar uma fronteira rígida com a República da Irlanda, que faz parte da União Europeia, o plano de May é manter os norte-irlandeses sob o controle alfandegário do bloco europeu, mas também gozando das vantagens disso. Por outro lado, o resto do Reino Unido é obrigado a sair.

Como era de se esperar, os líderes da Escócia e do País de Gales estão furiosos, exigindo ter mais voz nas negociações e mais poderes para governar independentemente de Londres, de acordo com a Rádio França Internacional (RFI).

No dia 25 de novembro, Theresa May se reúne com os chefes de Estado e de governo dos 27 países-membros da União Europeia para que todos aprovem a proposta de acordo apresentada pelos britânicos.

Caso seja aprovado, o acordo terá que ser submetido à aprovação pelo Parlamento britânico no início de dezembro. Nesse momento, o andamento do projeto poderá se complicar já que até colegas de partida já demonstraram insatisfação com o texto final.

Se o acordo for rejeitado pelo Parlamento, o governo terá que apresentar uma nova proposta em até 21 dias, de acordo com a BBC.

Uma nova rejeição poderia levar o país a sair da União Europeia sem acordo nenhum, a novas eleições gerais ou até mesmo a um novo referendo – que poderia dar aos britânicos a opção de simplesmente permanecer no bloco.

Fonte:G1

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