A escolha do general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira para novo comandante do Exército foi recebida na força como uma sinalização de continuidade da gestão do general Edson Pujol, que deixou o comando nesta terça-feira (30).

Os novos comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica foram anunciados na tarde desta quarta-feira pelo novo ministro da Defesa, Braga Netto.

Segundo o Blog apurou, o nome do general Oliveira foi recebido com uma discreta comemoração entre generais da ativa e da reserva.

A aposta é que o general vai blindar a força de qualquer tentativa de engajamento político.

“Ele terá a mesma postura de preservar o Exército e frear qualquer tentativa de politização dos quartéis. Já era um nome próximo do comandante Pujol”, disse ao Blog um general da reserva.

No domingo, o general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira deu uma entrevista ao jornal “Correio Braziliense” que teve grande repercussão.

Ele afirmou na entrevista que o Exército já se prepara para a terceira onda da Covid. E que a mortalidade na força é bem menor que na sociedade, devido à adoção das recomendações da ciência.

Como informou o Blog, diferente do que tentou aparentar, a decisão de mudar os comandantes das Forças Armadas e do ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva explicitou o distanciamento do presidente Jair Bolsonaro da cúpula militar do país.

Camarotti a analisa troca de comando nas Forças Armadas

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Generais deixaram claro que o episódio evidenciou que, apesar da tentativa de politizar os quartéis, Bolsonaro será freado nessa sua intenção, mesmo com a substituição dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

O presidente se antecipou ao movimento de entrega coletiva de cargos e determinou a mudança nos comandos das Forças Armadas.

Foi uma tentativa de evitar sair enfraquecido do episódio junto às três forças e manter a autoridade preservada.

“O presidente Bolsonaro tenta forçar um alinhamento político das Forças Armadas. Mas esse episódio deixou claro que as forças permanecem no seu papel constitucional. Ou seja, são instituições de Estado e não de um determinado governo. E isso será mantido com os futuros escolhidos para os cargos. Esse é um pensamento majoritário nos comandos das três forças”, disse ao Blog um influente general.

Conteúdo retirado do site: G1 da Globo