A Polícia Federal suspeita que o sargento da Aeronáutica Jorge Luiz Cruz da Silva seja o responsável pelo recrutamento de militares como “mulas” para usar aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) com fins ilícitos.

A informação faz parte das investigações da operação Quinta Coluna, deflagrada nesta terça-feira (2).

A TV Globo busca contato com o sargento ou com a defesa dele, mas não havia conseguido até a última atualização desta reportagem.

A operação investiga uma associação criminosa que usou aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) para traficar drogas para a Espanha.

Essa operação foi articulada depois que o sargento Manoel Silva Rodrigues foi preso na Espanha em junho de 2019 com 39 quilos de cocaína em avião da FAB.

Operação da PF investiga uso de aviões da FAB por criminosos para traficar drogas
Operação da PF investiga uso de aviões da FAB por criminosos para traficar drogas

3 min Operação da PF investiga uso de aviões da FAB por criminosos para traficar drogas

Operação da PF investiga uso de aviões da FAB por criminosos para traficar drogas

Dez pessoas e três empresas foram alvos de 15 mandados de busca e apreensão e duas medidas cautelares que impedem a saída de investigados do Distrito Federal. Entre os alvos da operação está o tenente-coronel Alexandre Piovesan, que servia ao Gabinete de Segurança Institucional.

A TV Globo teve acesso à decisão judicial que permitiu 15 mandados de busca e apreensão para aprofundar as investigações desse caso.

Na decisão, a juíza Pollyana Kelly Alves reproduz trechos das investigações da PF ao autorizar busca e apreensão em vários endereços de alvos desse inquérito.

A juíza relatou a investigação sobre Jorge Luiz da Cruz Silva e o suposto envolvimento dele no caso do sargento Manoel Silva Rodrigues.

“Afirma a existência de indícios de que Jorge Luiz da Cruz Silva, possivelmente, recrutou militares da FAB para o transporte de substâncias ilícitas”, diz o despacho.

No mesmo documento, a juíza reproduz informações da PF sobre um colaborador anônimo detalhou o que seria a atuação do sargento.

O documento diz que “segundo informações repassadas por colaborador anônimo que descreveu o modus operandi do esquema criminoso, Jorge Luiz da Cruz Silva seria a pessoa responsável pela indicação de militar da FAB que recrutaria ‘mulas’ para o transporte de substância entorpecente”.

A juíza reproduz na decisão que o colaborador é anônimo mas que a PF afirma ter checado criteriosamente tudo o que ele disse, citando as diligências tomadas para isso.

Com isso, concluiu que Jorge Luiz da Cruz Silva está possivelmente envolvido “nos eventos criminosos de transporte de substância entorpecente do Brasil para Europa em conjunto com Manoel Silva Rodrigues” e explicou que a busca e apreensão se justificam “como meio indispensável ao aprofundamento das investigações mediante a colheita de provas da prática criminosa, possibilitando, com isso, o acertamento da autoria e da materialidade do crime”.

Além disso, por causa dos indícios de materialidade e autoria delitivas, proibiu que o sargento Jorge Luiz da Cruz Silva mantenha contato com outros investigados. A mesma medida foi determinada para Wikelaine Nonato Rodrigues, mulher do sargento que está preso na Espanha. A PF e o MP pediram as prisões dos dois, mas a juíza negou.

Entre os argumentos considerados pela juíza para a decisão está a forma como o casal gastava seu dinheiro. No fim de abril de 2019, Manoel Silva Rodrigues realizou uma viagem a trabalho para a Espanha.

Na mesma época, diz a decisão, a esposa de Rodrigues começou uma reforma no apartamento em que o casal vivia.

Segundo a investigação, Wikelaine Rodrigues gastou R$ 26 mil com a obra e os móveis adquiridos. Já no começo de maio daquele ano, o casal adquiriu uma motocicleta por R$ 32,9 mil.

Para os investigadores, os dois “realizaram gastos excessivos, incompatíveis com a situação financeira do casal.”

Os investigadores também relataram que diálogos apontaram o conhecimento pela esposa de que o marido participava do transporte de entorpecentes e teria, inclusive, se passado por ele em contato com outros investigados usando um aparelho telefônico do marido.

Além disso, segundo a PF, Wikelaine Rodrigues “ocultou o aparelho celular após a prisão” do marido — ela também foi alvo da operação desta terça-feira.

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Conteúdo retirado do site: G1 da Globo