Mesmo que a ciência diga que a vacina é a única forma de tentar acabar com a pandemia da Covid-19, grupos antivacina estão ganhando força nas redes sociais. Recheados de fake news, esses perfis têm como objetivo atrair mais pessoas para o movimento.

Atualmente, mais de um ano após o começo da pandemia, a impressão que fica é que as redes sociais começaram a agir tarde contra esses grupos. Com uma simples pesquisa é fácil encontrar centenas de publicações antivacina no Twitter e usuários com milhares de seguidores.

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O número de seguidores, aliás, é um dos fatores que acaba legitimando o que é dito por esse público. Muita gente acaba sendo atraída para esses grupos ao notar a popularidade desses usuários.

Em contrapartida, o Twitter informou que remove conteúdos relacionados a desinformação sobre a Covid-19 e que vai passar a tratar com o mesmo rigor posts antivacina na rede social. A plataforma disse em seu mais recente relatório que removeu 8400 tweets que compartilhavam desinformação.

O número é quase insignificante perto da quantidade de postagens desse tipo que surgem a cada dia. Para se ter uma ideia, na última semana o Google divulgou um relatório sobre o Ads e disse que removeu mais de 3 bilhões de anúncios que propagavam fake news.

Outro dado alarmante vem do Countering Digital Hate, o grupo descobriu mais de 59 milhões de contas antivacina nas redes sociais em dezembro. Muitas dessas contas com seguidores suficientes para serem considerados “influencers” da propagação de notícias falsas.

Antivacina e o movimento nas redes sociais

Na medida em que as empresas tentam correr atrás do prejuízo e banir os usuários, surge a alegação de censura. “É uma situação difícil porque deixamos isso de lado por muito tempo”, disse Jeanine Guidry, professora assistente da Virginia Commonwealth University que estuda mídia social. “As pessoas que usam a mídia social realmente conseguem compartilhar o que desejam há quase uma década.”, completa ainda.

Outro movimento que está acontecendo é justamente essas páginas tentarem levar o público para outro ambiente, ainda mais descontrolado. Um exemplo citado pela AP é da página The Truth About Cancer, que ano passado era considerada uma das maiores compartilhadoras de Fake News pela agência de checagem NewsGuard.

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Após começar a ser denunciada, a página simplesmente parou de postar notícias falsas falando que vacinas causam autismo. Ao invés disso, os administradores pedem que os seguidores assinem uma Newsletter e entrem no grupo do Telegram, onde eles podem compartilhar as informações “sem censura”.

“Quando se trata de desinformação sobre vacinas, o que é realmente frustrante é que isso já existe há anos”, disse Andy Pattison, gerente de soluções digitais da Organização Mundial de Saúde, para a AP. “É uma linha muito tênue entre a liberdade de expressão e a erosão da ciência”, completou ainda.

Uma pesquisa da Center for Countering Digital Hate nas redes sociais também descobriu que o Instagram acaba ajudando usuários antivacina a encontrarem outros perfis do mesmo tipo através da aba “Explorar”. Basicamente quando você segue uma página desse tipo, outras aparecem como sugestão e é fácil entrar nesse mundo.

Via AP

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Conteúdo retirado do site: Olhar Digital