Bets custam R$ 30,6 bilhões por ano ao SUS, e as operadoras repassam 1% da arrecadação
Estudo do IEPS soma tratamento de depressão, ansiedade e o impacto das mortes por suicídio. Busca por atendimento subiu 140% em cinco anos.

O custo anual das apostas para o Sistema Único de Saúde chega a R$ 30,6 bilhões, segundo estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde, o IEPS.
Na conta entram despesas com tratamento de depressão, ansiedade e os impactos provocados pelas mortes por suicídio.
A desproporção
Apenas 1% da arrecadação das operadoras é destinado ao Ministério da Saúde.
De um lado, R$ 30,6 bilhões de custo. Do outro, uma fração pequena do que o setor arrecada voltando para o sistema que absorve o dano. É a mesma lógica já conhecida do álcool e do tabaco: o lucro é privado e o custo do adoecimento é público.
Os indicadores de demanda
- 140% de aumento na busca por atendimento nos últimos cinco anos
- mais de 5 milhões de CPFs bloqueados na plataforma de autoexclusão
- mais de 1 milhão pediram autoexclusão, e quase metade citou problemas de saúde mental
O dado da autoexclusão é o mais revelador. Ele mede pessoas que reconheceram o problema e pediram ajuda formal. O número real de afetados é necessariamente maior.
Autoexclusão: como funciona
Plataformas legalizadas são obrigadas a oferecer o bloqueio. A pessoa solicita e passa a ser impedida de apostar nas operadoras integradas ao sistema.
Três medidas que costumam funcionar juntas:
- Autoexclusão nas plataformas
- Bloqueio de categoria de transação no aplicativo do banco, que impede o pagamento
- Acompanhamento psicossocial, disponível nos Centros de Atenção Psicossocial do SUS
Onde buscar ajuda
O jogo compulsivo é reconhecido como transtorno e tem tratamento na rede pública. O caminho de entrada é a unidade básica de saúde, que encaminha ao CAPS.
Em situação de sofrimento intenso ou pensamento suicida, o CVV atende pelo 188, gratuito e 24 horas, por telefone, chat e e-mail.
O que o estudo alimenta
Pesquisa com número fechado é o que sustenta discussão de política pública. Sem estimar o custo, o debate sobre tributação e sobre limite de publicidade fica no campo da opinião.
Com a conta na mesa, a pergunta muda: o que o setor paga cobre o que ele custa.


