EEnfoco.
Ibovespa 205.172 pts ▲0,41% PETR4 R$ 59,22 ▲3,24% VALE3 R$ 66,24 ▼0,27% ITUB4 R$ 48,19 ▼0,33% BBDC4 R$ 20,40 ▼1,59% BBAS3 R$ 23,57 ▼0,80% WEGE3 R$ 48,01 ▼2,20% SUZB3 R$ 43,06 ▲1,56% ABEV3 R$ 16,78 ▲0,54% B3SA3 R$ 22,16 ▼0,27%

Petrobras reajusta querosene de aviação em 11,76% e combustível já responde por 45% dos custos das aéreas

Litro passa de R$ 5,585 para R$ 6,242 a partir de outubro, alta que já soma 74% desde março por causa do conflito no Oriente Médio.

Redação Enfoco•
Petrobras reajusta querosene de aviação em 11,76% e combustível já responde por 45% dos custos das aéreas
Foto Agência Brasil/EBC, licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil

A Petrobras reajustou em 11,76% o preço médio do querosene de aviação a partir de 1º de outubro. O litro do combustível, vendido às distribuidoras, saltou de R$ 5,585 para R$ 6,242.

O novo valor coloca o QAV 74% mais caro do que estava em 1º de março, quando o litro custava R$ 3,592. A escalada acompanha o conflito no Oriente Médio e a instabilidade no Estreito de Ormuz, rota por onde passava 20% da produção internacional de óleo e gás antes da guerra.

Por que o combustível ficou tão caro

A Petrobras responde por cerca de 85% da produção nacional de querosene de aviação, o que faz qualquer movimento da estatal repercutir direto no bolso das companhias aéreas brasileiras.

O reajuste segue um cronograma contratual e acontece sempre no primeiro dia de cada mês, independentemente de decisão pontual da empresa. Entre junho e julho, o preço chegou a cair, puxado pela expectativa de um acordo entre Estados Unidos e Irã, mas a trajetória de alta foi retomada em agosto.

Em maio, a petroleira havia permitido que distribuidoras parcelassem o impacto de um reajuste anterior, numa tentativa de amenizar o choque sobre as aéreas. Não há indicação de medida semelhante para o aumento anunciado agora.

Peso nas contas das companhias aéreas

O combustível de aviação já é a maior fatia dos custos operacionais das empresas do setor no Brasil, e a proporção cresceu de forma acelerada desde o início do conflito:

  • Antes da guerra, o QAV representava cerca de 30% dos custos operacionais das aéreas, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
  • Depois da escalada no Oriente Médio, esse percentual passou a mais de 45%, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).
  • O litro do combustível acumula alta de 74% em sete meses, considerando o intervalo entre março e outubro.

Esse salto no peso do combustível pressiona diretamente a estrutura de custos das companhias, ainda que o reajuste anunciado pela Petrobras seja aplicado ao preço vendido às distribuidoras, não ao valor final cobrado do passageiro.

Não há, até o momento, detalhamento de como ou quando esse aumento deve se refletir no preço das passagens aéreas. A tendência observada em ciclos anteriores de alta no QAV é de repasse gradual, mas o ritmo e a intensidade dependem da política comercial de cada empresa aérea.

O que explica a disparada global

A origem da crise está na guerra no Oriente Médio, que trouxe instabilidade para o Estreito de Ormuz, um dos principais corredores de transporte de petróleo e gás do planeta. Antes do conflito, a região concentrava 20% de toda a produção internacional do setor.

Com a rota ameaçada, o mercado internacional de combustíveis passou a precificar um risco maior, o que se traduziu em aumentos sucessivos no custo do barril de petróleo e, por consequência, nos derivados como o querosene de aviação.

A Petrobras ainda não divulgou perspectiva sobre os próximos reajustes, que seguem a mesma lógica contratual e devem continuar sendo anunciados no início de cada mês, conforme o comportamento do mercado internacional.

Fonte: Agência Brasil

Leia também