A camada de ozônio está se fechando, e é o caso raro de problema ambiental resolvido
Mais de 99% das substâncias que destruíam o ozônio já foram eliminadas. A previsão é recuperação total por volta de 2040 no planeta e 2066 sobre a Antártida.

Esta página faz parte do arquivo do Enfoco Notícias. O registro original é de 17 de setembro de 2026 e o texto foi reescrito e reapurado pela redação em 17 de setembro de 2026.
A camada de ozônio é o único problema ambiental global em que a humanidade combinou uma solução, executou e está vendo funcionar. Os dados de acompanhamento mostram recuperação consistente.
O calendário da recuperação
| Região | Recuperação total prevista |
|---|---|
| Restante do planeta | por volta de 2040 |
| Ártico | por volta de 2045 |
| Antártida | por volta de 2066 |
A Antártida demora mais porque é lá que as condições meteorológicas favorecem a destruição do ozônio: o frio extremo forma nuvens estratosféricas polares, que aceleram a reação química.
Por que funcionou
O Protocolo de Montreal, assinado em 1987, determinou a eliminação gradual das substâncias que destroem o ozônio, principalmente os clorofluorcarbonetos, os CFCs, usados em refrigeração, aerossol e espuma.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial, mais de 99% da produção e do consumo desses compostos já foram eliminados.
O buraco sobre a Antártida em 2024 foi menor que nos anos anteriores, com déficit máximo de 46,1 milhões de toneladas em setembro daquele ano, abaixo da média registrada entre 1990 e 2020.
O que o ozônio faz
A camada fica na estratosfera, entre 15 e 35 quilômetros de altitude, e absorve a maior parte da radiação ultravioleta do tipo B que vem do Sol.
Sem ela, a exposição a essa radiação aumentaria o número de casos de câncer de pele e de catarata, afetaria o sistema imunológico e prejudicaria plantação e fitoplâncton, que é a base da cadeia alimentar marinha.
Por que essa história importa hoje
O Protocolo de Montreal é o único tratado ambiental com adesão universal, ratificado por todos os países. Ele tem três características que explicam o sucesso e que faltam em outros acordos:
Meta clara e mensurável. Eliminar substância específica, com prazo e percentual definidos.
Substituto disponível. A indústria tinha alternativa técnica viável, o que reduziu a resistência econômica.
Verificação independente. Monitoramento científico contínuo, capaz de mostrar se o combinado está sendo cumprido.
Como resumiu o secretário-geral da ONU, António Guterres, a recuperação lembra que, quando as nações atendem aos alertas da ciência, o progresso é possível.
O que ainda preocupa
Alguns gases substitutos dos CFCs não destroem o ozônio, mas são potentes gases de efeito estufa. A Emenda de Kigali, de 2016, trata justamente da redução desses compostos, ligando o tratado do ozônio ao problema do clima.
E o monitoramento segue necessário: emissões não declaradas de substâncias proibidas já foram detectadas por medições atmosféricas, o que mostra que o acordo depende de vigilância permanente.


