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Vasco e Palmeiras: a história por trás do clássico dos adversários cordiais

Perseguidos por motivos diferentes, os dois clubes construíram uma relação rara no futebol brasileiro. Um capitão vascaíno chegou a ajudar no rebatismo do Palestra Itália em 1942.

Redação Enfoco• •atualizado em 15 de setembro de 2026
Vasco e Palmeiras: a história por trás do clássico dos adversários cordiais
Foto Márcio Araujo, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons

Esta página faz parte do arquivo do Enfoco Notícias. O registro original é de 12 de agosto de 2017 e o texto foi reescrito e reapurado pela redação em 15 de setembro de 2026.

Vasco da Gama e Palmeiras se enfrentam há mais de um século sem o rancor que marca a maioria dos clássicos brasileiros. O primeiro encontro aconteceu em 28 de setembro de 1924, no Andaraí, no Rio de Janeiro, em amistoso disputado pela Taça Vasco da Gama. A partida terminou 2 a 0 para o time paulista, que ainda se chamava Palestra Itália.

A relação entre os dois clubes se explica menos pelo que aconteceu em campo e mais pelo que os dois enfrentaram fora dele.

Dois clubes perseguidos, por motivos diferentes

O Vasco era hostilizado no Rio por escalar negros, operários e trabalhadores pobres em um futebol que ainda se pretendia de elite. A resistência do clube a essa pressão ficou registrada na chamada Resposta Histórica, documento em que a diretoria se recusou a excluir seus jogadores para permanecer na liga.

O Palestra Itália, por sua vez, era alvo por outro motivo: a origem italiana. A perseguição se intensificou durante a Segunda Guerra Mundial, quando o Brasil rompeu com os países do Eixo e a manifestação pública de vínculo com a Itália passou a ser proibida.

O vascaíno que ajudou a batizar o Palmeiras

Foi nesse contexto que apareceu a figura de Adalberto Mendes. Capitão vascaíno e com contato próximo com integrantes do Palestra, ele se tornou um dos vice-presidentes do clube paulista e participou do processo que resultou no rebatismo da agremiação em 1942, quando o governo brasileiro proibiu qualquer forma de homenagem à Itália.

O Palestra Itália passou a se chamar Sociedade Esportiva Palmeiras. O gesto de solidariedade partido de um representante do Vasco é o episódio que sustenta o apelido do confronto entre os dois times.

Um clássico com outro nome

A partir dessa história, o jogo entre Vasco e Palmeiras passou a ser tratado como Clássico da Fraternidade. A expressão não é invenção de marketing: nasce do fato de que os dois clubes passaram por processos de exclusão em épocas próximas e acabaram se aproximando por causa disso.

Mais de cem anos depois do primeiro encontro, a rivalidade segue existindo em campo, mas sem a carga de hostilidade que caracteriza outros clássicos nacionais.

Fonte: Clássico da Fraternidade, registro histórico

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