EEnfoco.
Ibovespa 205.172 pts ▲0,41% PETR4 R$ 59,22 ▲3,24% VALE3 R$ 66,24 ▼0,27% ITUB4 R$ 48,19 ▼0,33% BBDC4 R$ 20,40 ▼1,59% BBAS3 R$ 23,57 ▼0,80% WEGE3 R$ 48,01 ▼2,20% SUZB3 R$ 43,06 ▲1,56% ABEV3 R$ 16,78 ▲0,54% B3SA3 R$ 22,16 ▼0,27%

Dívida Pública Federal chega a R$ 9,29 trilhões em agosto e fatia da Selic bate recorde de 52,74%

Estoque ficou praticamente estável ante julho, com alta de 0,04%, mas a parcela de títulos pós-fixados atingiu o maior nível já registrado.

Redação Enfoco•
Dívida Pública Federal chega a R$ 9,29 trilhões em agosto e fatia da Selic bate recorde de 52,74%
Foto Agência Brasil/EBC, licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil

A Dívida Pública Federal terminou agosto em R$ 9,293 trilhões, praticamente no mesmo patamar do mês anterior, com variação de apenas 0,04%, segundo dados do Tesouro Nacional.

O detalhe que mais chama atenção no balanço é outro: a fatia de papéis atrelados à taxa Selic subiu para 52,74%, o maior percentual de toda a série histórica.

Por que a dívida quase não se mexeu

O Tesouro pagou mais títulos do que colocou no mercado em agosto. Esse resgate líquido chegou a R$ 84,43 bilhões, movimento que, sozinho, reduziria o estoque.

O que segurou o valor no lugar foi a conta de juros. A incorporação de R$ 88,39 bilhões em juros ao saldo devedor compensou o resgate e ainda deixou a dívida ligeiramente acima da de julho.

Na prática, o governo abateu parte do que devia, mas os encargos do próprio endividamento anularam quase todo o efeito. O custo médio da dívida em 12 meses subiu de 12,45% para 12,59% ao ano.

O peso recorde dos títulos ligados à Selic

A composição da dívida importa porque define o quanto o custo dela reage a decisões de política monetária. Quanto maior a fatia pós-fixada, mais o valor a pagar acompanha diretamente cada movimento da taxa básica.

Com 52,74% do estoque atrelado à Selic, o Tesouro se aproximou do teto que ele mesmo havia projetado para o ano. O Plano Anual de Financiamento de 2026 prevê participação entre 49% e 53% para esses papéis.

Em números redondos, isso significa que mais da metade da dívida fica exposta a novas altas de juros. Reduzir essa dependência costuma depender de resultados fiscais mais sólidos ao longo do tempo.

A parcela pós-fixada avançou frente aos 51,11% registrados em julho.

Prazo, colchão e estrangeiros

Outros indicadores acompanharam o resultado do mês:

  • Prazo médio: passou de 4,05 para 4,10 anos, o que dá mais tempo até os vencimentos.
  • Reserva de liquidez: o chamado colchão da dívida caiu de R$ 1,37 trilhão para R$ 1,208 trilhão, recuo de 11,89%.
  • Investidores estrangeiros: a fatia deles na dívida interna subiu de 9,82% para 9,91%.

O colchão de liquidez funciona como uma reserva para honrar pagamentos mesmo em períodos de mercado adverso. A queda de quase 12% reduz essa margem de folga.

As instituições financeiras continuam como as maiores detentoras dos papéis, com 31,22% do estoque total.

Para quem acompanha o desempenho da economia interna, o quadro fiscal aparece ao lado de outros sinais recentes, como o resultado das vendas no comércio, que caíram em julho.

O que esperar até dezembro

O Tesouro manteve a estimativa de que a Dívida Pública Federal encerre 2026 em uma faixa entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.

Se a projeção se confirmar, o estoque ainda deve crescer nos últimos meses do ano em relação ao patamar de agosto. O ritmo desse avanço vai depender do calendário de vencimentos, do volume de juros incorporados e da trajetória da própria Selic.

Para o cidadão, o recado é indireto, mas concreto: uma dívida cada vez mais colada à taxa básica torna as contas públicas mais sensíveis ao custo do dinheiro, o mesmo custo que influencia o crédito e o consumo no dia a dia.

Fonte: Agência Brasil / Tesouro Nacional

Leia também