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Futebol feminino em debate: o que trava o crescimento da modalidade no Brasil

Transmissão em TV aberta e profissionalização mudaram a escala da modalidade, mas calendário, estrutura de base e receita própria seguem como os gargalos.

Redação Enfoco•
Futebol feminino em debate: o que trava o crescimento da modalidade no Brasil
Foto Agência Brasil/EBC, licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil

O futebol feminino brasileiro vive um momento de contraste. De um lado, a seleção é uma das mais tradicionais do mundo e o Brasileirão Feminino tem transmissão em TV aberta pelo terceiro ano seguido. De outro, a base econômica da modalidade segue frágil.

Eventos do setor têm concentrado o debate em três gargalos.

Calendário

A temporada feminina é mais curta que a masculina e concentra jogos em períodos específicos do ano. Calendário fragmentado dificulta contrato anual, planejamento de temporada e, principalmente, previsibilidade de receita para os clubes.

Para a atleta, o efeito é direto: menos jogos significa menos exposição e menos poder de negociação.

Estrutura de base

A formação de atleta mulher no Brasil ainda depende de projeto social, escola e iniciativa individual em boa parte do país. Poucos clubes mantêm categorias de base femininas completas, com o mesmo escalonamento etário que existe no masculino.

Sem base, o clube compra atleta pronta, o que encarece o elenco e concentra talento em poucas equipes, reduzindo a competitividade do campeonato.

Receita própria

A modalidade depende hoje de três fontes principais: cota de transmissão, patrocínio e repasse do próprio clube. Bilheteria e licenciamento, que sustentam o futebol masculino, ainda são marginais.

O caminho apontado por quem acompanha o setor passa por tratar o time feminino como produto próprio, com identidade, calendário divulgado com antecedência e preço de ingresso pensado para o público que efetivamente vai ao estádio, em geral famílias e público jovem.

O que já mudou

A exigência de time feminino para licenciamento em competição continental tirou a modalidade da informalidade em vários clubes. A transmissão em TV aberta deu régua de comparação e criou astro reconhecível fora do nicho.

São avanços que mudaram o patamar da discussão: o debate saiu de "se deve existir" para "como sustentar economicamente", que é onde o problema realmente está.

Fonte: Empresa Brasil de Comunicação

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