Melanoma nem sempre é na pele: 75% dos casos fora dela aparecem no olho
Boletim da Fundação do Câncer registra 1.324 casos extracutâneos entre 1990 e 2021. O tipo ocular costuma ser silencioso no começo e é o mais frequente.

O melanoma é conhecido como câncer de pele, e é mesmo: 92,2% dos casos aparecem na pele. Mas ele nasce dos melanócitos, as células que produzem melanina, e essas células existem em outras partes do corpo.
É disso que trata a 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, publicado pela Fundação do Câncer em setembro de 2026, com o título "Melanoma: nem sempre na pele". A coordenação é de Alfredo Scaff.
Onde aparece quando não é na pele
Entre 1990 e 2021 foram registrados 1.324 casos extracutâneos, sendo 523 em homens e 801 em mulheres. A distribuição:
| Local | Proporção dos casos fora da pele |
|---|---|
| Olho | 75% |
| Região genital | 12,8% |
| Sistema digestório | 8,2% |
Nos 993 casos oculares analisados, 546 eram em mulheres (55%) e 447 em homens (45%).
O melanoma fora da pele é descrito como mais agressivo e com maior potencial de metástase que o cutâneo.
O problema do melanoma ocular
Ele pode permanecer sem sintoma nenhum nas fases iniciais, justamente quando o tratamento teria mais chance. Quando os sinais aparecem, costumam ser:
- visão embaçada
- flashes luminosos
- manchas no campo visual
- perda de visão
Nenhum desses sintomas é exclusivo de melanoma, e todos pedem avaliação oftalmológica. O exame de fundo de olho é o que permite ver a lesão antes de qualquer queixa, e é por isso que a consulta de rotina importa mesmo para quem enxerga bem.
Os números do melanoma de pele
A projeção para 2026 é de 9.360 novos casos de melanoma cutâneo no país.
Em 2023 foram registradas 2.047 mortes por melanoma de pele, sendo 1.176 homens e 871 mulheres. A taxa média entre 2020 e 2024 ficou em seis óbitos por milhão de habitantes.
O que observar na pele
A regra prática mais usada é o ABCDE da pinta:
- Assimetria: as duas metades são diferentes
- Bordas irregulares, mal delimitadas
- Cor variada na mesma lesão
- Diâmetro acima de 6 milímetros
- Evolução: mudou de tamanho, cor ou forma
Qualquer pinta que sangra, coça de forma persistente ou muda com o tempo merece avaliação dermatológica.
Por que o boletim existe
O objetivo declarado é conhecer para prevenir, diagnosticar mais cedo e planejar melhor os serviços de saúde. Dado organizado orienta política pública: sem saber quantos casos existem e onde, não há como dimensionar rede de diagnóstico nem campanha de prevenção.
Fonte: Fundação do Câncer, boletim Análises e Tendências em Câncer


