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Malware PoeLLM já contaminou mais de 3.400 servidores de IA para minerar criptomoeda

Campanha chamada Canto Incognito está ativa desde abril de 2026, mira serviços como LiteLLM e Gitea e transforma máquinas invadidas em novos scanners de ataque.

Redação Enfoco•
Malware PoeLLM já contaminou mais de 3.400 servidores de IA para minerar criptomoeda
Foto BeatingBetting, BY 2.0, via flickr

Uma campanha de ataque batizada de Canto Incognito já comprometeu mais de 3.400 servidores de infraestrutura de inteligência artificial expostos na internet para instalar mineradores de criptomoeda. A operação está ativa desde abril de 2026, segundo a empresa de segurança Lumen Black Lotus Labs.

O malware central da campanha se chama PoeLLM. Ele busca servidores de IA deixados abertos na rede, invade essas máquinas e as usa para gerar criptomoeda sem autorização, consumindo o processamento alheio.

Por que isso importa para quem opera IA no Brasil

Os casos identificados até agora se concentram nos Estados Unidos e na Europa Ocidental. Não há confirmação de servidores atingidos no Brasil.

Ainda assim, o risco não depende de região. Qualquer empresa que mantenha infraestrutura de IA exposta diretamente à internet com os produtos visados pode ser alvo do mesmo tipo de ataque. A lista inclui:

  • LiteLLM
  • Gotenberg
  • Gitea
  • Dispositivos Ivanti Sentry

Quais falhas específicas são exploradas nesses sistemas para a invasão inicial não foi detalhado pela Lumen. A recomendação prática para administradores é fechar o acesso externo sempre que possível, aplicar as atualizações de segurança disponíveis e vigiar picos estranhos de uso de processamento, que costumam ser o primeiro sinal de mineração escondida.

Esse padrão de reaproveitar sistemas mal configurados para fins criminosos aparece em outras famílias de ameaça, como a botnet que sequestra roteadores e DVRs para esconder o comando e controle.

Como a botnet cresce sozinha

O ponto mais perigoso do PoeLLM é a capacidade de se espalhar por conta própria. Cada servidor invadido não vira apenas uma máquina de mineração: ele é transformado em scanner e servidor de exploração, usado para localizar e atacar novos alvos. A rede, portanto, se amplia a cada vitória.

Esse efeito explica a velocidade da campanha. No pico, em meados de junho, quase 2.200 servidores estavam afetados ao mesmo tempo, com cerca de 800 ativos por dia.

Para faturar, os criminosos instalam dois mineradores conhecidos, o XMRig e o Iron, ambos ligados ao serviço Kryptex.

O endereço escondido em um poema

A parte mais curiosa da operação está no disfarce do servidor que dá ordens às máquinas infectadas. Em vez de deixar o endereço de comando e controle visível, os operadores o esconderam dentro de um poema hospedado no GitHub.

A técnica dificulta a detecção, já que o tráfego parece buscar um conteúdo comum em uma plataforma legítima de código.

A Lumen atribui a autoria a um ator de fala italiana, com grau de confiança moderado. Os pesquisadores também notaram tráfego recente contra portais de login SSH, o que sugere testes com ataques de força bruta distribuídos. Essa capacidade, porém, ainda não estaria amadurecida.

O uso de inteligência artificial pelos dois lados do jogo digital tem ficado mais comum. Do lado ofensivo, já apareceram casos como o trojan bancário para Android criado com ajuda de IA, outro exemplo de como a tecnologia amplia o alcance de quem ataca.

O que fazer agora

Se a sua empresa usa alguma das tecnologias citadas em servidores acessíveis pela internet, a orientação é agir sem esperar sinal de infecção:

  • Confirme se há atualizações de segurança pendentes e aplique.
  • Restrinja o acesso externo, deixando os serviços atrás de rede privada ou VPN sempre que der.
  • Monitore o consumo de CPU e GPU em busca de uso anômalo, típico de mineração.
  • Revise registros de acesso para identificar varreduras e tentativas de login fora do padrão.

A mineração não autorizada costuma passar despercebida justamente porque não trava o sistema. Ela só come recursos e eleva a conta de energia e de nuvem, enquanto a máquina segue funcionando e, pior, ajudando a contaminar outras.

Fonte: Lumen Black Lotus Labs, via The Hacker News

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