Petrobras firma contrato de 22 anos para comprar 800 mil toneladas de GNL dos EUA por ano
Estatal fecha o segundo acordo de longo prazo em cerca de um mês para garantir gás dos Estados Unidos e reduzir a dependência do mercado à vista.

A Petrobras assinou um contrato de 22 anos para comprar Gás Natural Liquefeito dos Estados Unidos, com volume de 800 mil toneladas por ano. A vendedora é a Cheniere Marketing, subsidiária da Cheniere Energy.
O acordo trava o fornecimento de gás para o Brasil por mais de duas décadas. Na prática, isso mira o custo e a segurança do suprimento que abastece termelétricas, indústrias e residências ligadas à rede de gás natural distribuído pela estatal.
O que muda para quem depende do gás
O gás natural no Brasil não fica só nas usinas. Ele aparece em três frentes principais:
- geração de energia em termelétricas
- uso industrial e como matéria-prima
- consumo residencial
Ao fechar um contrato longo, a Petrobras busca previsibilidade de preço diante da volatilidade do mercado spot, aquele em que as compras são feitas de forma pontual e ficam expostas a oscilações fortes. Um custo mais estável na origem pode influenciar o valor final do gás usado no país, ainda que o efeito direto sobre a conta do consumidor não tenha sido detalhado.
Esse movimento acontece em um momento de atenção com as contas públicas e com o custo da energia. Nesta semana, o mercado também acompanha a decisão do Copom sobre a taxa Selic, que ajuda a dar o tom do cenário econômico.
O segundo acordo em pouco tempo
Não é a primeira vez que a estatal recorre a esse formato. No fim de agosto, cerca de um mês antes, a Petrobras já havia fechado um contrato parecido:
- prazo de 20 anos
- volume de 800 mil toneladas anuais
- com a Sempra Infrastructure
Somados, os dois contratos apontam para uma estratégia de amarrar o abastecimento de longo prazo em vez de depender de compras avulsas.
O GNL tem uma vantagem logística que explica esse tipo de negócio à distância: ele dispensa a construção de gasoduto entre comprador e vendedor. O gás é resfriado até virar líquido, o que reduz seu volume em 600 vezes, e assim pode ser transportado por navio de um continente a outro.
Do lado americano, a Cheniere Energy opera os terminais de Sabine Pass e Corpus Christi, nos Estados Unidos, de onde parte a exportação.
O que ainda não se sabe
A Petrobras não divulgou o valor financeiro do contrato nem o preço por tonelada. Também não há, até agora, informação pública sobre a data de início do fornecimento previsto no acordo com a Cheniere.
O tema se conecta ao debate sobre custos do setor público e privado em um período de juros altos, assunto que aparece também no avanço da Dívida Pública Federal e no peso da Selic sobre as contas do país.
Por enquanto, o que está firmado é o compromisso de compra: mais de duas décadas de gás americano contratado, com o objetivo declarado de dar mais estabilidade ao abastecimento brasileiro.
Fonte: Agência Brasil


